Há quem goste delas curtas, há quem as aprecie mais longas, mas para nós o tamanho não importa, uma história merece sempre ser contada.

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

O Prazer à distância de um botão.

Daniel entrou no quarto da mãe e encontrou-a pendurada no tecto, lívida. Ainda mais alva do que o normal. Aquele branco marmóreo contrastava com o negro das suas vestes. "Mãe?" sussurrou Daniel que sabia que Alva detestava que falassem alto na sua presença. Olhou-a e sentiu os seus olhos vazios. Estranhou o baloiçar do corpo da mãe. O grito da empregada que descobriu aquele cenário assustou-o. Encostou-se a um canto e assistiu ao desespero de Thomas a suportar o peso do corpo, ao choro compulsivo das empregadas, á chegada dos homens de negro que a retiraram do laço mortal, ao padre que entoava orações sombrias e ao silêncio do quarto quando todos se retiraram. Ninguém pareceu dar pela sua pequena presença. No chão da sala, o véu mortal repousava. A medo, Daniel aproximou-se e pegou no véu negro. Aproximou-o da face e foi invadido pelo cheiro a incenso intenso que dele emanava.
O mesmo cheiro que invadiu o corpo de Gina na noite em que foi visitada pelo Anjo Negro. No dia seguinte a essa noite, acordou dorida e com estranhas marcas negras nas costas. Descobriu que tinha imensa dificuldade em respirar e em mover-se mas não se lembrava de nada. A noite era um enorme buraco na sua memória. Sentiu o desprezo e a rispidez das freiras e dos padres e estranhou a ausência de um dos padres do convento. Entretanto foi adoptada e abandonou o convento mas sempre com aquele buraco negro na sua memória. Anos mais tarde, quando trabalhava numa empresa como secretária de um dos directores, entrou numa sala e sentiu aquele cheiro novamente. Sentiu-se invadida por ele, dominada por ele. Acordou no dia seguinte, nua, no meio de escombros de um incêndio e, logo depois, perdeu tudo. E ganhou um novo hiato na sua mente.
Daniel cresceu atormentado pela mãe. Na adolescência via-a esporadicamente. Atrás de uma árvore, no cimo das escadas, sentada na sua cama. E ele guardava sempre o véu perto de si. Quando Gina chegou, Daniel estava lá. Assistiu ao seu encontro com Carvalho, o zelador. E, pela primeira vez, Alva falou com ele. "Esta mulher é o Diabo!" disse-lhe. E Daniel seguia-a, para todo lado. Estava lá quando Gina seduziu Thomas, estava lá quando Gina se masturbava freneticamente. E não resistiu aos feitiços que Gina lhe lançou quando se entregou a ela. Depois disso, Alva falava com ele constantemente "Tens de os matar!" gritava-lhe sem cessar. Depois de ser enviado para o Seminário, um bondoso padre percebeu a tormenta daquele jovem. Cuidou dele e percebeu a razão da loucura de Daniel: o confronto com a morte violenta da sua mãe. E quando viu o véu de Alva encontrou a razão! Através de um processo doloroso de hipnose regressiva, Daniel pode finalmente confrontar-se com a sua perda e fazer o luto.
Quando Daniel entrou no quarto de Gina e Thomas, Gina sentiu aquele odor a preenchê-la de novo. Sentiu claramente a sua sanidade a abandoná-la e abandonou-se ao sabor da lascívia. Apoderou-se dela uma vontade selvagem e atacou Thomas com fulgor. A sua língua tentava penetrar fundo na boca de Thomas. Guiou-o até aos seus seios firmes gemendo "Lambe-me..." enquanto disparava um olhar felino em direcção a Daniel. "Daniel, por favor, preciso de um homem que me preencha, que me penetre com a força e o volume que eu preciso... e tu tens isso Daniel, suplico-te... INVADE-ME!!" Daniel deixou cair o véu e retirou-se. "Não tomarei parte nesta loucura..." enquanto Gina se colocou em cima da Thomas. Abriu as pernas e sentou-se na face dele, como se desejasse que ele se introduzisse, todo ele, no seu húmido túnel. Thomas fazia tudo para aplacar aquele fogo que a consumia. A sua língua penetrava-a o mais fundo que era capaz mas nada chegava! Gina repetia continuamente "Preciso de um cajado forte e duro... preciso de um homem a sério..." e Thomas desistiu. Sentia-se humilhado, diminuído, derrotado. Afastou-a e sentou-se na cama. "Gina... precisamos de resolver... Gina?", mas ela estava absorta pelo véu, obcecadamente a olhá-lo como se a sua vida dependesse disso! "Gina? GINA!!" mas ela continuava hipnotizada por um qualquer poder que o véu destilava. Num salto, agarrou o pedaço de tecido e queimou-o. O cheiro a incenso foi rapidamente consumido pelas chamas e substituído pelo das fibras queimadas. Gina despertou e estava confusa. "Meu amor, o que se passou?", e Thomas percebeu.
Alguns meses de terapia bastaram para Gina recuperar os buracos negros da sua memória. Compreendeu e aceitou o que lhe tinha acontecido e foi finalmente feliz! Fazia amor com Thomas muito regularmente, descobriram juntos novos acessórios de prazer que a satisfaziam. Falavam muito e amavam-se sem reservas. Mas Thomas sentia-se levemente infeliz. muito embora o tentasse disfarçar e Gina percebia isso. Até que um dia, Gina entrou no quarto com a felicidade estampada no rosto! "Thomas, meu amor!!! Olha, olha o que eu descobri!! Vê...." e passou uma revista para as mãos de Thomas. Ele olhou a pagina e pegou na revista. Por um longo momento não manifestou qualquer emoção mas depois chorou. E chorando abraçou longamente Gina dizendo "Obrigado meu amor, muito obrigado!!". Gina devolveu o abraço e a revista caiu no soalho lustroso do quarto. Na página via-se a foto de um pénis de onde saiam fios electrónicos ligados a uma consola com alguns botões e na legenda "Descubra a primeira prótese peniana do mercado!! A suavidade e verosimilhança do silicone moldado à sua medida aliada à tecnologia de ponta. Com uma pequena intervenção cirúrgica, o prazer está à distância de um botão".
E viveram felizes para sempre.

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Finalmente o Véu

Gina beijou o rosto de Thomas, sorvendo cada lágrima que lhe molhava a pele, como se quisesse livrá-lo de toda a dor que sentia. As mãos dele percorreram a parte de dentro da curta camisa de noite e acariciaram-lhe a pele demasiado macia naquela zona sensível. Gina estremeceu e envolveu-o nos seus braços num abraço que lhe cortou o fôlego.
Thomas desprendeu-se e olhou-a repleto de uma frustração muda.
- Como é que vamos conseguir viver assim?
Gina pegou suavemente na mão dele e conduziu-a até à zona mais quente do seu corpo arrepiado.
- Há formas de continuarmos felizes Thomas. Eu quero acreditar que vamos conseguir sim. Por favor vamos pelo menos tentar.
A porta do quarto rangeu de forma assustadora e um rosto pueril assomou, olhando-os num misto de doçura e arrependimento. Daniel tinha mudado. Em vez de envelhecer, havia regressado à ingenuidade juvenil que perdera algures entre tanta loucura.
- Daniel? – A voz de Thomas estava enrouquecida, quase chocada.
O olhar de Gina caiu sobre o pedaço de tecido que Daniel segurava entre os dedos. Um tecido delicado, vaporoso que parecia libertar uma luz avermelhada como que por magia.
- Aqui o tem. O véu é seu, faça dele o que bem entender. Durante o internamento fui visitado por um padre que me curou. Isto já não exerce qualquer influência sobre mim.
Thomas tremeu, a simples imagem daquele véu era o suficiente para despertar nele mais náuseas do que podia suportar.
- Está com medo de quê? Força, pegue nele, queime-o, rasgue-o, abrace-o, consuma-o, eu já não quero saber. Vou ingressar no Seminário amanhã mesmo. Nada disto me toca, me afecta.
Gina estremeceu face à palavra Seminário, todas as memórias bíblicas da sua infância regressaram em catadupa, deixando-a a arfar. Apertou com força a mão daquele homem ao seu lado enquanto fitava Daniel.
- Estás mesmo bem Daniel?
Gina teve que desapertar os botões da camisa de noite que a asfixiava, toda ela era fogo. Seria a luz daquele maldito véu que a penetrava em silêncio?
- Já lhe disse que estou curado – Daniel atirou o véu na direcção do pai que o agarrou como se de uma chama se tratasse. O seu rosto ficou automaticamente púrpura assim que o tecido lhe tocou a pele e Thomas chamou o jovem que se afastava já.
- Espera Daniel!
O olhar de Daniel caiu sobre o pai, para logo se desviar para o peito generoso de Gina.
- Tenho uma proposta para te fazer. Um pedido.
O véu despertava cada poro da sua pele, ardia-lhe como ácido e as palavras voaram antes que tivesse tempo de pensar sobre elas.
- Fica connosco.
Gina pousou a mão sobre o véu e completou o pensamento de Thomas. Os dois eram agora um só, pensavam em uníssono, freneticamente.
- Fica Daniel. Serás a parte que nos falta.
Thomas beijou languidamente Gina, enquanto esta olhava Daniel suplicante, abrindo levemente as suas longas pernas e mostrando-lhe o caminho que deveria seguir...

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Alva.

"Alva. Alva era o seu nome. Conhecia-a ela era ainda muito jovem e eu um já um homem feito, com 19 anos. Não sei se os seus pais preconizaram a sua aparência física através do nome mas a sua pele era clara e limpa. Uma perfeição à vista e ao toque. Os seus olhos claros eram de um azul-água cristalino que até hoje não vi em mais mulher nenhuma. E era tímida. Muito tímida. Inicialmente não lhe prestei muita atenção. Estava mais interessado nas caçadas a`cavalo que o seu pai organizava nas suas terras. Estas terras que hoje me pertencem.
Eu era um jovem rebelde e inconsequente, famoso entre as donzelas da alta-sociedade pelas minhas desventuras sexuais! Até que, um dia, alva olhou para mim e os seus olhos prenderam-me. Parecia estar enfeitiçado por aqueles olhos cor de mar e nunca mais olhei outra mulher. Entregámo-nos um ao outro debaixo da sombra protectora do Grande Carvalho, nos limites das propriedades. Cavalgávamos até lá e fazíamos amor sem reservas, sem tabus e depois adormecíamos para acordar já demasiado tarde para que não fossemos descobertos! O seu pai, apesar da minha fama de marialva, gostava da minha energia e começou a incluir-me na gestão dos homens e dos trabalhos na propriedade. Casámos numa cerimónia simples debaixo do mesmo Grande Carvalho que enfeitou de branco, como a cor da sua pele.
Os primeiros tempos de casamento foram vividos em contínua lua de mel. Todos os pretextos eram suficientes para nos tocarmos, para abraçar e para, eventualmente, nos enrolarmos no nosso pequeno ninho de amor. Mas Alva escondia uma parte de si que se revelou ao primeiro contratempo: o ciúme! Quando, numa tarde de Outono entrou na sala onde eu e uma velha amiga que nos visitava, ficou tão furiosa que destruiu as loiças da cerimónia do casamento. Esse foi o ponto de viragem Passámos a discutir quase todos os dias e ela tornou-se obsessiva. Seguia-me para todo o lado e não raras vezes me insultou em público. O meu interesse por ela esmorecia na medida inversa do aumento da sua loucura. Deixei de dormir na mesma cama, o que só aumentou a sua certeza de traição. Num acto tresloucado de ciúme, seduziu um dos nossos empregados e, dormindo com ele, engravidou. Nove meses depois nascia Daniel. O empregado desapareceu nesse mesmo dia.
Alva nunca tratou de Daniel. Passou a vestir-se de negro e a usar um véu a cobrir a face. Se por vergonha, não sei. Tornou-se numa fanática religiosa e púdica, com tiques de moralidade vitoriana. Andava muitas vezes pela casa, murmurando orações de excomunhão ou falando com ela própria. O pai dela morreu, desgostado com o deplorável estado da filha e eu fiquei só com ela e Daniel. O ambiente tornou-se insuportável levando a que todos os empregados se despedissem. Todos menos Constança, que chegou já depois da loucura de Alva mas que parecia entendê-la e até ser capaz de racionalizar com ela.
Numa noite, Alva apareceu no meu quarto, nua e tresloucada. Queria que fizesse amor com ela mais uma vez. Dizia que se sentia as entranhas em fogo e que precisava que eu a apaziguasse. Recusei, uma e outra vez. Alva enforcou-se nessa mesma noite. Com o véu que lhe cobriu a face durante tantos anos. Alva foi a enterrar, o véu desapareceu e nunca mais tive descanso desde então."
-Obrigado meu amor, por te teres revelado a mim de forma tão íntima.
Gina beijou Thomas longamente enquanto se envolviam num abraço, tentando que os seus corpos nus se tocassem na maior parte de pontos possíveis. Thomas derramou uma lágrima que Gina logo lambeu da sua face.

Romantismo

Toda a sucessão de imagens do passado dava a Gina a força que precisava para continuar a massajar o peito de Thomas, conferindo às suas frágeis mãos uma força que desconhecia.
- Vive Thomas, vive! Não me podes deixar aqui entregue ao passado, por favor vive!
Soprava-lhe uma dádiva de ar sobre os lábios, enquanto a massagem de reanimação prosseguia, impiedosa, já não dependendo de si. Era alguém que movia os braços por ela, alguém superior a ela. Gina chorava, mas as lágrimas eram agora a sua voz que gritava por ajuda.
Foi como num sonho que viu entrar ajuda e como num sonho que foi também ela carregada em braços para longe dali.
- Salvem-no, façam alguma coisa, ele não pode morrer, não nos meus braços! Eu tenho que amar, eu ainda consigo amar…
E tudo ficou negro como um manto de noite sobre os seus olhos molhados.
Gina acordou o que podiam ser dias ou meses depois. Um quarto demasiado claro, demasiado branco atordoou-a por breves instantes antes de se aperceber que alguém a seu lado a velava.
- Thomas?
E um sorriso sofrido confirmou-lhe a suspeita. Aquele homem outrora forte e determinado estendia-lhe agora uma mão frágil e magra, afagando-lhe o rosto.
-Salvaste-me Gina… Mas sofreste uma emoção tão forte que caíste num sono profundo.
- Quanto tempo? Há quanto tempo é que estou aqui? – Tentava sorrir-lhe de volta, mas não conseguia.
- Há dois meses minha querida. – Aquele era mesmo o dono de Netherfield, frio e distante? Parecia-lhe transformado, talvez pela emoção quente que só o amor confere.
- E tu? Como é que estás?
- Referes-te à parte de mim que me faz mais homem?
Gina anuiu sem sombra de embaraço.
- Sou agora menos homem Gina. Tiveram que optar entre a minha virilidade e a minha vida. Estou vivo, mas menos eu. – Os seus lábios donos de uma quentura desconcertante beijaram-lhe a palma da mão que se arrepiou.
- E o Daniel? Ele, ele foi preso? O que é que lhe aconteceu?
- O Daniel está internado numa instituição para doentes mentais, mas em breve vai ter alta. Os velhos fantasmas de Netherfield nunca mais apareceram para me atormentar, anda tudo estranhamente calmo desde a catástrofe.
- Talvez tenham tido a sua vingança. - Gina queria acreditar nas suas próprias palavras.
Thomas desviou o olhar, como se escondesse alguma coisa e colocou os seus lábios sobre os lábios de Gina, quase como numa carícia. Foi com deleite que Gina deixou que a língua dele reconhecesse cada recanto da sua boca. Deixou-se beijar, sem tomar parte do processo, gozando apenas a sensação de se sentir completamente preenchida em tantos sentidos além da carne...

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Deita cá pra fora!!

"E eu, e eu?" dizia numa voz tão fina que arrepiava, o pénis agora separado do seu amo e senhor De Netherfield, "E agora quem me afaga, quem me dá carinho? Sinto-me tão sozinho..." enquanto derramava lágrimas espessas e leitosas do seu olhinho único, qual Cyclops fálico.
(Não tenho o que escrever no "Cheirinho...")

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Peguem nela...

As peças encaixam-se (e de que maneira!) na história de Gina. Abusada enquanto pré-adolescente, será santa ou o diabo em pessoa? Que mistério encerra a morte de Thomas? O que aconteceu ao seu pénis decepado? Quem controla a fúria de Daniel? Quem são as mulheres que aparecem sempre nos cenários de tragédia?
Algumas da meninas que pegue no cajado, digo, na história, faz favor!!

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

O Palpitar da Paixão:Anjo Negro

Gina cresceu e tornou-se numa jovem mulher. Aos olhos expressivos e pele alva, juntaram-se o despontar de voluptuosos seios e um corpo torneado de uma mulher. O movimento ondulante das suas ancas, bamboleando as suas nádegas firmes era agora comentado em surdina pelos padres do convento. Sendo apenas uma pré-púbere, Gina despertava já o desejo naqueles homens ressequidos pela maldade.
A noite estava calma, anormalmente escura, a Lua coberta por grossas nuvens que encobriam os predadores. Talvez por isso não se ouvisse o som dos animais nocturnos. Nem a coruja, nem os cães, nem mesmo os laboriosos ratos do forro do quarto de Gina davam sinais de actividade. Ela dormia um sono agitado, como se sentisse falta do embalo da música da noite, como se o breu lhe atiçasse os sentidos. Por isso despertou quando ouviu o fino ranger da porta do seu quarto, que se abria. Apercebeu-se de um vulto de contornos indefinidos, um fantasma de negro, um espectro que pairava aos pés da sua cama. Gina afundou-se nos lençóis, amedrontada.
"-Schiuuuuu, minha menina... não faças barulho.", o espectro falava enquanto invadia o leito, "Vais receber a comunhão mais importante de todas. A comunhão divina só reservada para os nossos cordeiros mais especiais." A sua voz era sussurrada, sibilina. Gina notou uma ansiedade contida no tom em que falava o espectro como se travasse uma batalha interior com algo maligno dentro dele. Agarrou na mão dela e, suavemente, guiou-a dizendo "Vem sentir o vigor do meu cajado. O cajado a que servirás a partir de hoje". Gina sentiu a sua mão a fechar-se sobre um corpo duro mas com pele enrugada e, enquanto apertava a mão de Gina sobre o seu cajado, o espectro guiava-lhe agora o braço em movimentos rítmicos, fazendo a sua mão deslizar naquele corpo duro.
Gina estava petrificada. Que entidade era aquela? Seria anjo ou demónio? Um anjo-negro. A sua mente estava fechada a qualquer pensamento e sentia-se invadido por um sentimento de nojo que aquele objecto duro, coberto por uma pele escorregadia e mal-cheirosa lhe causava. Sentia apenas a sua textura, que se propagava ao longo do braço, e os movimentos como se fossem involuntários. O espectro -la parar e deslizou para baixo dos cobertores poeirentos. Ela sentia a sua respiração pesada no seu umbigo, nas suas coxas. Abriu as pernas, como que hipnotizada por uma serpente e sentiu a língua do espectro, quente e húmida, lambendo suavemente os lábios da sua boca do prazer. Estremeceu, estranhando. O espectro lambia cada vez mais avidamente, mordiscava e sorvia. De repente, Gina contorceu-se, involuntária e inesperadamente. O espectro atingia-a agoro num ponto preciso, mesmo na união superior dos lábios, e atacava-o com precisão. Gina conteve um grito e agarrou os lençóis com força. Sentia-se molhada, um líquido espesso molhava-lhe o interior das coxas. Perguntou-se se seria a saliva do espectro.
"-Estás pronta.", o anjo negro subiu pelo meio das sua pernas e encarou Gina que fechou os olhos. "Recebe o meu cajado dentro de ti...". Gina sentiu o seu cajado duro a invadi-la. Foi atingida por uma dor que nunca tinha sentido. Uma dor que não doía mas que se propagava, impiedosamente, por todo o seu corpo. O anjo avançava, uma e outra vez, penetrando no seu íntimo cada vez mais fundo. Gina sentia o controlo sobre o seu corpo a abandonar os seus comandos e a sucumbir a algo que crescia agora dentro dela. Algo que emergia das sombras do seu corpo.
"-AHHHHHHHHHHHH!!!" o anjo gritou, como se tivesse libertado um peso, como se se evadisse de uma prisão. Gina sentiu um fluxo quente dentro dela. A lua libertou a sua luz por momentos e reflectiu-se num objecto que pendia do pescoço do anjo. Gina foi ofuscada por aquele clarão momentâneo e viu a enorme cruz que o Bispo sempre ostentava por fora da sua batina. Um sorriso de escárnio nasceu na face de Gina "-Já acabou Sr. Bispo? Ora, ora..." a Lua finalmente vencera as trevas e iluminava a noite em todo o seu esplendor! Gina libertou-se do peso do anjo agora revelado e montou-o com uma agilidade felina. Lambia-lhe a face enquanto prendia firmemente o cajado com uma das mãos. O padre exibia uma face de surpresa e desnorte, enquanto Gina introduzia o se membro já não tão hirto na sua caverna novamente. Com os joelhos firmemente apertados contra os flancos do padre assustado e as mão segurando-o no peito mantendo-o aprisionado, Gina movia os quadris em todas as direcções imagináveis.
"-Dá-me mais padreco, DÁ-ME MAIS!!" Com a respiração a entrecortar-lhe o discurso Gina enlouquecia de prazer "SIM... SIM... eu... estou... quase...quase.... QUASE!!! AIIIIIIIIIII!!"
Gina acordou com o som da sua porta a bater. O bispo entrava, secundado pela Madre Superiora e dois diáconos. Entoavam em uníssono: "Pai nosso, que estais no céu, santificado seja o vosso nome...". O bispo acercou-se de gina e, de dentro da sua capa revelou um chicote de 3 pontas com nós nas extremidades. Despiu Gina violentamente e virou-a contra a parede. À primeira investida, Gina caiu no chão. A segunda -la desmaiar.

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

O Palpitar da Paixão: os lençóis da morte.

Daniel entrou no quarto da jovem empregada da mansão Netherfield. Cabeça baixa, a respiração pesada e acelerada, o corpo tenso, braços baixados ao longo do corpo. A lâmina suja com os últimos despojos da virilidade decepada de Thomas. Deixou tombar o machado que, ressoando no soalho, chamou a atenção da jovem.
"DANIEL! O que se..." Sem permitir que a jovem terminasse a sua pergunta, Daniel avançou sobre ela bruscamente. Agarrou-a nos ombros e empurrou-a contra a cama, virando-a violentamente de costas para si.
"Mas, Daniel..."
"Cala-te." sussurrou entre dentes. Empurrou-a com força para cima da cama e ergueu-lhe os quadris, obrigando-a a ficar apoiada nos joelhos. A bata de serviçal voou para um canto do quarto e a fina lingerie de renda não foi obstáculo para a fúria de Daniel. A jovem não lutou ficando antes extremamente excitada com esta versão animalesca do adolescente que sempre fora tão meigo com ela. O quarto estava agora repleto com o odor dos fluidos que molhavam todo o interior daquela mulher. Daniel sentiu esse cheiro e ao pegar no cabo do seu corpo julgou, por momentos, estar novamente com o cabo do machado nas suas mãos. Guiou o seu pau másculo e duro até à entrada da húmida caverna e invadiu-a sem aviso, apressadamente, violentamente. A empregada suprimiu um grito e Daniel avançava e recuava furiosamente. Como se quisesse derrubar algo com o seu aríete de ferro. Daniel olhava para as costas suadas e delineadas da empregada a contorcerem-se num misto de dor e de prazer, os seus quadris a recuarem oferecendo um caminho fácil para que aquele aríete de pura rocha a invadisse a seu bel-prazer. Apoiada apenas num braço, acariciava-se e simultâneamente afagava as entumescidas bolas de Daniel. Daniel acometia-a furioso e pensava
"Puta, és uma puta como aquela Gina..." agarrou-a pelos cabelos e puxou-se mais para dentro dela. Ela gritou e parou com as carícias. Daniel, com uma mão a agarrar os finos cabelos e com a outra firmemente apoiada no fundo das costas da empregada, penetrava-a como um animal, bufava e estava no limite da sua velocidade. Pensava em Gina e em Thomas e queria castigá-los e estava agora a aplicar toda a sua raiva naquela mulher que gemia agora ruidosamente, um gemido de dor. Daniel finalmente sentiu a sua arma de arremesso a endurecer até ao limite e rebentou, despejando toda a sua raiva dentro da inocente empregada. Largou-a e ela saiu, coxeando e com a face molhada pelas grossas lágrimas que teimavam em escorrer-lhe pela face.
Sentou-se na cama exaurido pela fúria que o consumiu e que libertara momentos antes. Sentiu uma mão que pousava leve no seu ombro, quase imperceptível como o toque de um leve lençol de seda. Não conteve mais o choro que combatia e disse, num pranto
"Mãe. Que fiz eu?"
"O que precisava ser feito, meu filho..."
Thomas estava deitado no chão frio e duro. Ao seu lado o outrora imponente pelourinho da sua masculinidade definhava, roxo e mirrado.
"Gina..." chamou-a com uma voz sumida "Gina, há algo que tenho que precisas saber..."
"Não, Thomas, não fales, poupa-te enquanto eu chamo ajuda!" Gina chorava copiosamente.
"Ouve-me, Gina, não tenho muito mais tempo... ela nunca te largará enquanto não desapareceres... como as outras... descobre o véu... e destrói-o... é a única maneira de seres feliz..."
"Mas, Thomas, estás a alucinar. Perdeste muito sangue... deixa-me ir...."
"NÃO! O véu... destrói o véu... destr...." A sua voz perdeu-se e apagou-se a luz dos seus olhos. Uma poça de sangue eram os lençóis da morte.

Um Enfermeiro Por Favor!!!!

Onde está um enfermeiro? Eu preciso de um enfermeiro!!!!! Ninguém me vê aqui e se me pisam e se me esmagam?
Enfermeiro Miguel vem tratar de mim antes que me deitem fora!!!!
Gritava o pénis cada vez mais pálido.

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

O Palpitar da Paixão - Jaz Morto e Arrefece

Um grito gutural, quase animal enche a divisão, congelando tudo em volta. Um grito de guerra enraivecido torna a voz de Daniel irreconhecível enquanto se lança na direcção de Thomas com um olhar possuído. Este apenas tem tempo de cobrir Gina com o seu próprio corpo, escudando-a daquela brutal investida.
- Tu mataste-a e agora vais morrer também como o cão que és! – Daniel desfere o primeiro golpe, mas Thomas consegue travá-lo com um pontapé bem aplicado no peito do jovem.
- Daniel o que é que se passa? – A voz de Gina soa estranhamente calma. Calma demais. Mas nenhum dos dois a escuta, pois envolveram-se numa mortífera luta pela vida. Thomas querendo prolongar a sua própria vida, Daniel querendo ceifá-la a todo o custo.
- A minha mãe morreu por tua culpa, das tuas depravações e agora vais pagar por isso, tu e essa cadela no cio!
- Daniel eu nunca matei a tua mãe, eu amava-a com todas as minhas forças! A Gina não tem culpa de nada, simplesmente aconteceu. Eu tenho o direito de refazer a minha vida.
Thomas completamente despido, despojado da sua virilidade, parecia quase patético a Gina que tentava cobrir-se com uma almofada, enquanto se aproximava dos dois.
- Eu é que enfeiticei o Thomas. Se queres matar alguém mata-me a mim – Gina estava agora entre os dois e o seu peito tentava suster a respiração assustada. Do outro lado da janela as duas mulheres pareciam sorrir, cúmplices, como se dominassem toda a cena que se desenrolava.
Qualquer coisa demoníaca bailava no olhar do jovem, enquanto fitava ora um, ora outro, como para decidir qual dos dois leva primeiro para o Inferno.
- Gina sai daqui, foge. – A voz de Thomas é agora um fio inaudível. A única motivação que Daniel precisava para soltar o carrasco de dentro de si. Levantando o machado bem alto prepara-se para tirar Gina do caminho, da pior forma possível, mas Thomas empurra-a deixando que o machado tombe sobre ele e Daniel, atrapalhado acaba por enterrar a lâmina mais abaixo, bem mais abaixo do coração.
Um jacto de sangue corre pelas pernas do patriarca, enquanto este cai de joelhos, sucumbindo à dor e ao choque. Gina grita num exorcismo improvisado:
- Ordeno-te que deixes este corpo em nome de Cristo!
Daniel treme, pois mesmo à sua frente, empunhando o velho crucifixo como uma arma, Gina reza com uma devoção assustadora. Daniel parece vacilar ante as palavras divinas.
- Ordeno-te que deixes este servo de Deus em nome de Cristo! Vai de retro Satanás! Pai Nosso Que Estais no Céu...
Daniel sente-se agoniado, não suporta a visão da cruz, as palavras santas queimam-no por dentro.
Gina olha a janela enquanto reza, as duas mulheres desapareceram.
Thomas está caído no chão, desfalecido de dor e mesmo ao seu lado, ironicamente arrancado pela raiz, jaz o seu membro sem vida.

domingo, 6 de setembro de 2009

Uma nuvem que lá passa parece dizer, baixinho

"Mais vale pousares o machado e descansares um bocadinho, Daniel."

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

O Palpitar da Paixão - Êxtases

Uma chuva miudinha molhava a terra vermelha do cemitério da propriedade Netherfield naquela tarde abafada de Verão, criando pequenos córregos encarnados que escorriam entre os sapatos e barras das saias dos poucos presentes à volta do caixão. Ninguém dizia nada. Ninguém se entreolhava. Não havia lágrimas, nem choro. O esquife baixa à terra enquanto o padre diz as suas últimas palavras.
- Vieste do pó e ao pó voltarás, Constança Belleview.
Gina levanta os olhos pela primeira vez, e mesmo sob o véu que lhe cobre respeitosamente a vista, encontra o olhar cheio de ódio de Daniel. Gina abana a cabeça, perturbada como se dissesse que não.
Não, não fora ela a cometer aquele crime hediondo.
- Descanse em paz, Mrs. Belleview.
O padre retira-se. Pouco a pouco, os empregados da mansão Netherfield o seguem, numa procissão cheia de sussurros e troca de olhares evitados durante a cerimónia fúnebre. Gina vê que lhe apontam o dedo, que dizem o seu nome em surdina.
No meio deste incómodo, sente uma mão firme sobre o seu ombro. Vira-se.
- Venha comigo. Você está visivelmente abalada e precisa de descansar.
- Os empregados vão falar, Sr. Netherfield. – diz com uma voz grave.
- Desde que não a importunem, podem falar à vontade. Mas o primeiro que a incomodar será despedido.
Netherfield oferece-lhe o braço, que Gina aceita, relutante. Saem os dois em direcção à mansão. Gina ainda olha para trás, para encontrar mais uma vez o semblante de raiva de Daniel sob a chuva que começa a cair mais forte. Mas um casaco quentinho que cai sobre si como um abrigo afasta-a daquela visão sombria.
- Obrigada, Sr. Netherfield.

Chegam completamente ensopados à pequena sala privada de Netherfield, pois um longo caminho separa o cemitério da casa grande. Gina tira os grampos que prendem o véu e o xaile que cobre o seu regaço, deixando que os seus cabelos fartos rolem sobre o seu peito generoso. Netherfield não esconde um ar de surpresa. Corando, Gina desculpa-se e faz-se à saída.
- Muito obrigada por me ter acompanhado, Sr. Netherfield. Se precisar de alguma coisa, estarei no meu quarto…
- Gina…
A voz é rouca, com um sofrimento e ânsia contidos.
- Fique, por favor. Beba um brande comigo.
Envergonhada, Gina senta-se. Aceita o brande que Netherfield lhe põe nas mãos. Cansada dos últimos eventos, Gina bebe o brande de um só trago. Pouco habituada ao álcool, o calor invade-a de súbito. Netherfield repara e ri-se.
- Deixe-me ajudá-la.
Netherfield solta os atilhos do decote de Gina, que, assustada, salta para trás. Um pensamento invade-a, aquecendo o seu coração.

Laura não está lá. Laura morreu. Ela está livre daquele demónio.

- Desculpe, Gina, só queria ajudar…
- Oh, e ajudou, Sr. Netherfield… - Gina segura a mão dele sobre o seu peito – ajudou muito. Obrigada…
Gina larga a mão de Netherfield, que afrouxa a pressão que fazia sobre os atilhos da blusa dela. Estão soltos, e os seus seios estão agora em plena liberdade. Inebriada pelo brande, Gina suspira de olhos fechados e deixa-se relaxar completamente sobre o sofá. Netherfield tem a respiração acelerada.
- Menina Virgínia…
Num sorriso lânguido, Gina replica.
- Chame-me Gina, senhor. Gina, apenas.

Netherfield entende aquele singelo consentimento e enlaça-a num beijo longo e morno, que para ela tem sabor a um pecado consentido, desejado. A língua dele é sôfrega e explora os seus recantos. Lábios, pálpebras, lóbulo… pescoço… nuca. Gina é pura alegria e liberdade. Decidida, alcança o membro de Netherfield, enrijecido sob as calças. Desembaraça-o em movimentos rápidos e, fazendo deslizar o seu desnudo tronco para baixo, sorve toda a masculinidade daquele homem, que uiva de prazer. Gina olha-o nos olhos enquanto lhe dá aquele momento de satisfação oral, lânguida, húmida.
Querendo retribuir, Netherfield puxa o seu frágil corpo e, num único impulso viril, coloca-a sentada no braço do sofá, mergulhando entre as suas saias, encontrando as suas partes moles e quentes e saboreando o doce néctar que Gina lhe oferece.
Nunca foram tão felizes. Nem tão livres.
Fazendo com que Netherfield se sente, Gina, afastando bem as suas pernas, senta-se lentamente sobre o seu sexo, sentindo aquela maravilhosa e libertadora dor, tomando ela as rédeas do acto, sendo ela a agente daquela penetração. Netherfield agarra-a pela cintura e embala-a com ritmo, doce ao princípio, cada vez mais frenético a cada investida. Têm os olhos fechados ao aproximar-se do inevitável êxtase.
O relógio da sala bate as doze badaladas enquanto os dois se banham no calor e humidade um do outro, gemendo alto. Ter-se-ão passado assim tantas horas, Gina pensa rapidamente. De facto, é noite lá fora. As cortinas estão abertas.
Nada importa. Netherfield e Gina chegam ao clímax ao mesmo tempo. Netherfield, exangue e exausto, mergulha no regaço nu de Gina, que finalmente abre os olhos para as janelas. A chuvinha fina agora é uma tempestade furiosa, e um ou outro clarão invade a sala de quando em quando.
E agora ela tem a certeza.

Há uma mulher a olhá-la numa delas. Veste negro e é muito pálida.
Na outra janela, outra mulher, coberta com um véu branco.
Constança.

O coração de Gina pára. Netherfield larga-a, de repente. Gina olha-o e vê que o seu olhar está fixo na porta.

Lá está Daniel, encharcado, com um machado na mão. O seu olhar pede sangue.

sábado, 29 de agosto de 2009

O Palpitar da Paixão: num quarto esconso.

"AIIIIIIIIIAAAAAAAAAAAAAAAAAHHHHHHHH!"
Num quarto escuro e esconso uma mulher gritava de dor. Gotículas de suor teimavam em formar-se na sua testa muito embora já todo o corpo estivesse húmido e escorregadio. Esta mulher estava acompanhada por uma outra, velha, mão sujas de sangue, olhar apreensivo. Apoiada nos joelhos flectidos daquela mulher deitada à sua frente, a velha forçava as pernas contra a barriga proeminente enquanto gritava:
"FORÇA!! FAZ FORÇA AGORA EMÍLIA!!! JÁ VEJO O BEBÉ!! FOOOORÇA!"
Uma pequena e ensanguentada cabeça anunciava-se através da vagina de Emília. Ficou preso naquela posição mas, após mais um grito de desespero da parturiente, o bebé conseguiu finalmente dar o seu primeiro suspiro fora de água. Quando a velha parteira o puxou para fora do ventre materno já a pequena criatura anunciava, aos berros, a sua chegada ao mundo!
"É uma menina Emília... uma linda menina!" anunciou a velha enquanto colocava a bebé ainda suja de sangue e de uma mistela verde-acastanhada no regaço da sua mãe. Mas esta não reagia. Não abraçou a sua filha, não chorou a sua chegada. Estava pálida, imóvel, os lábios negros. No meio de tanta preocupação com a menina, a velha não se tinha apercebido do estado de Emília. "Oh meu Deus, meu Deus, ajudai-me nesta aflição". O sangue vermelho vivo jorrava imparável por entre as pernas de Emília. O cordão umbilical rompido percorria o caminho de volta para as entranhas de Emília. A velha puxou, o resto do saco ficou dentro do útero de Emília e impedia que este se contraísse e contivesse a extensa hemorragia. A velha fez tudo ao seu alcance mas este era demasiado curto para valer a Emília. Estava morta. A velha tapou o corpo pálido e frio de Emília. Limpou a bebé com um pano limpo e olhou para um canto escuro daquele pequeno quarto. Uma pequena menina brincava com uma velha boneca de trapos, suja e já sem cabelo, aparentemente alheia a todo aquele cenário. "Vamos Virgínia, vamos embora." A bebé olhou para a velha, dirigiu-se a ela e dando-lhe a mão, saíram do quarto.
Após o funeral, a velha dirigiu-se ao velho orfanato. Uma freira com ar sereno e doce acolheu-a com bonomia. Recebeu a bebé nos braços enquanto Virgínia se escondia atrás das saias da velha. A boa freira baixou-se e sorriu-lhe. A velha empurrou-a suavemente e Virgínia deu a sua mão à mão estendida da freira. A velha virou costas e disse: "Essa chama-se Virgínia. A bebé não tem nome."
"Laura. Chamar-se-á Laura."
As meninas cresceram sem nunca saberem o seu parentesco. A velha e seca Madre-Superiora assim tinha determinado. Mas desde cedo as meninas se aproximaram. Andavam juntas, comiam juntas, dormiam juntas e eram castigadas juntas porque juntas faziam as travessuras de meninas. Quem as via tão juntas, tão cúmplices, tão felizes na companhia uma da outra dizia que, se fossem irmãs eram perfeitas uma para a outra. Os anos passaram. Juraram que sairiam juntas daquele cárcere. Juraram que seriam companheiras até ao final da vida, que encontrariam maridos juntas e que em casas juntas viveriam. No dia em que Laura viu Gina a abandonar o orfanato pela mão de tão distinto homem algo dentro dela mudou. As lágrimas corriam-lhe pela face mas não as sentia. Tornou-se indomável e destruidora. A destruição que tinha tomado conta dela estava a alastrar-se para fora de si mesmo. E sentia-se estranhamente atraída pelo fogo. Uma série de pequenos incêndios aconteceram então no orfanato e Laura encontrava-se sempre envolvida. Embora não se lembrasse de alguma vez ter ateado o fogo, era constantemente encontrada inconsciente nos locais ardidos. Até que acordou um dia no meio de um grande incêndio no seu quarto. Estava atordoada, não sabia o que se estava a passar. Desesperada, saltou pela janela em chamas e caiu desamparada na rua das traseiras do orfanato. As freiras gritavam e corriam desordenadamente em todas as direcções. Laura viu a sua liberdade ao esticar da mão e agarrou-a. Fugiu para não mais ser encontrada.
Marcada pelo fogo no seu abdomén, parou e desmaiou junto a uma casa simples. Uma mulher viu-a e acorreu em seu auxílio. Tratou dela até Laura acordar. "Não te preocupes minha menina... qual é o teu nome?"
Com uma voz fina e trémula, Laura respondeu: "Constança... o meu nome é Constança."

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Que cheiro é este?

É a Constança que está morta desde terça-feira...

terça-feira, 25 de agosto de 2009

O Palpitar da Paixão - Olhos nos olhos

- Não adianta esconder-se, Constança... não adianta!!! Achava que eu não me ia lembrar?
Constança olha para os lados, entre os estampidos secos da porta. Maldita sejas, Gina, maldita! A porta vibra com as pancadas.
- Pelo poder da Hóstia Consagrada, Deus há-de me dar forças para derrubar essa porta!
Constança está encurralada. O seu maior segredo, aquilo que levaria com ela para o túmulo, fora trazido para a luz do dia. “Que idiota”, pensou. Mas a culpa era toda dela. Afinal, pesquisara durante quase todo o ano passado sobre o paradeiro de Virgínia Pureza. Fora a cartórios, notários, revirara prateleiras e prateleiras de arquivos paroquiais nas suas horas vagas. Na ausência de pistas, usara as suas parcas economias para contratar um detective particular, que finalmente resultou em alguma coisa.
Descobrira que Virgínia havia sido adoptada por um bom homem, viúvo já com filhos, muito parecido com o próprio Se. Netherfield. Descobrira também que Virgínia casara pouco mais velha que uma adolescente e que trabalhara em duas empresas... duas empresas cujos escritórios em que Gina trabalhara arderam por completo em “circunstâncias não esclarecidas”, segundo o relatório da Polícia, mas que havia fortes indícios de fogo posto.
- Abra já esta porta, Constança! IMEDIATAMENTE!

A voz dela acompanhava o crescendo de força com que ia batendo à porta. Constança engole em seco. Levanta-se e caminha em direcção à janela. “Mas encontrei-a, por fim. Por fim, encontrei-a”, pensa.

A porta abre e lá está Gina, com fogo nos olhos. Constança, nua, vulnerável, encostada contra a janela daquele terceiro andar, só consegue murmurar.
- Por fim encontrei-a, Virgínia.
- “Virgínia”?
Gina dá uma gargalhada enlouquecida. Solta os cabelos que caem pelos ombros, atira-os para trás e caminha bamboleante em direcção a uma assustada Constança.
- “Virgínia”? Estás a falar daquela totó que se escondia por baixo das saias das freiras?
Gina encerra Constança contra a parede, entre as suas duas palmas.
Sem escapatória.
- A Virgínia morreu num incêndio.
- Não... não... a Laura é que morreu, Virgínia. A Laura, não tu. Eu sei... eu tenho aqui as provas, se me deres um momento...
Gina aproxima a sua boca da de Constança, e é num sopro quente e doce que sussurra.
- Não me chames Virgínia.
Começa a explorar-lhe o pescoço... as orelhas... a queda do ombro.
- Virgínia, por favor, não... se soubesse quem eu sou...
Uma pequena mordida no lóbulo. Alguma dor.
Gina traz uma gota de sangue nos lábios e duas gramas de ódio nos olhos.
- Não me chames Virgínia quando sabes o meu nome.
Constança está apavorada. Pior que apavorada, está a sucumbir àquela mulher voluptuosa que explora os seus seios com a ponta da língua de forma precisa, quase cirúrgica, sem nunca tirar da parede as palmas das mãos.
Virgínia desce. Desce para o sul do corpo de Constança, degustando de cada centímetro da sua pele de leite, das suas gotículas de suor e de culpa.
E é a Sul que o pecado mora.
A respiração de Constança é ofegante, mas não vai deixar que os anos de solidão a deixem cometer o maior sacrilégio da sua vida.
E é quando Gina chega com os seus lábios aonde nenhum outro homem chegou, que Constança grita, vencendo-se a si própria. Puxa Gina para cima.
- Virgínia, não podes fazer isso! Não podemos fazer isso! Tu disseste que sabias quem eu era, mas pelos vistos, estás enganada! Eu não sou quem pensas, não sou!!! Eu...
- EU JÁ DISSE PARA NÃO ME CHAMARES VIRGÍNIA!!!
Num impulso, Gina agarra aquela frágil mulher pelos pulsos e, num único movimento, atira-a pela janela fora.
A queda é lenta. Muito lenta.
Gina segue Constança com o olhar até que o seu corpo caia, sem fazer qualquer barulho maior que um fardo de feno, no chão.
De olhos abertos. Fixados nos seus.
E, num longo abrir e fechar de olhos, Gina acorda.
Olha para baixo, onde vários empregados já cercam o corpo de Constança. "Foi a Sra. Netherfield, valha-me Deus..." "Foi o fantasma da falecida, não fico aqui nem mais um segundo..." "O Daniel? Alguém chama o Daniel?"

Gina está petrificada.

"Daniel!!! Daniel!!!", ouve chamarem.
Mas Daniel não está no andar de baixo. Daniel está, neste momento, diante de si, com o olhar aterrorizado de quem sabe tudo.

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Última Chamada

Melissa mais uma vez vejo-me obrigada a recorrer ao meu poder ditatorial e, sob pena de prisão efectiva com duas horas diárias de tortura fisicamente inflingida, ordeno-te que avances com a merda da história que está parada há 12 dias.
Sem outro assunto de momento e deixando como aviso a fama de déspota impiedosa que me precede,
Anita C (de Cócó)

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Gina estava encostada à porta batendo displicentemente, com ar de quem não espera obter resposta. Olhava o relógio e pensava: "Com tanta coisa para fazer..."
Do outro lado, Laura estava sentada na beira da cama. Perna cruzada, a foto de Daniel perdeu entretanto o interesse. Observava as suas unhas e constatava que precisavam de um tratamento. Por quem esperam elas?
....
SIM!! Por Melissa.

domingo, 16 de agosto de 2009

Esvaída em Sangue Esperava Por... Mel

Os nós dos dedos de Gina sangravam de tanto bater, o sangue escorria já pela porta e caía no chão como uma cascata, penetrando no interior do quarto pela frincha da Constança, ups, da porta...
- Abre sua grande vaca! Não vês que me esvaio em sangue sua pêgazorra bolorenta?!! - Gritava Gina.

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Bate leve, levemente, como quem chama por Mel...

Gina batia e batia e a porta não abria....

domingo, 9 de agosto de 2009

O Palpitar da Paixão - Constança

Gina participava nas tarefas de gestão daquela imensa mansão com um rigor espartano. Entre os dedos o rosário lembrava-a que não se desviasse, que não seguisse por aquele calor que a invadia sem aviso. Apertava as contas de madre pérola com uma força que lhe vincava a pele e desviava todo o seu pensamento para a limpeza das pratas, orientação das refeições, ordens aos serviçais.
Era Virgínia Pureza quem encarnara nela e era precisamente essa Virgínia que não podia perder nunca mais. Por muito que precisasse de se sentir amada, desejada, tocada, possuída isso não era o mais importante.
- O Sr. Netherfield gosta que as pratas sejam areadas todos os dias.
A voz de Constança era pausada, grave. Como uma espada que rasgava sem pudor o silêncio.
- Ela passava horas a limpar as molduras com as fotografias de família.
- Ela quem? – Gina sentia-se meia atordoada ainda com a aparição inesperada daquela estranha personagem.
- A Sra. De Netherfield, a falecida. – A voz prosseguia como um sussurro secreto. – Sabe que ela ainda anda por aqui a vigiar-nos a todos.
Instintivamente o rosário foi esmagado entre os dedos suados de Gina.
- Que disparate tão grande Constança, não tem nada para fazer? A roupa de cama foi engomada?
Mas Constança não desarmava o sorriso sinistro.
- Porque é que pensa que nenhuma governanta parou por aqui mais do que uns dias? Ela expulsa-as sem dó, nem piedade. A Sra. Netherfield jamais deixará outra mulher, além de mim, perto do marido. Ela só confia em mim. Ela sabe que o marido nunca me tocou, como fazia com as outras rameiras que se esfregavam nele como gatas no cio…
Gina ensaiou uma resposta, mas Constança já virara costas em direcção à escadaria. Enquanto a via subir os degraus um arrepio de horror trespassou-a ao meio, quebrando-a. Gina conhecia aquele olhar, aquele sorriso, aquela voz agora madura lembrava-a de outra voz infantil, não, não podia ser, não era possível, Laura estava morta...

Ao fechar a porta do pequeno e bolorento quarto que lhe pertencia, Constança soltou uma gargalhada gutural, bem de dentro de si. Dirigiu-se à gaveta da cómoda carcomida e com a chave que trazia ao pescoço, abriu-a, retirando do seu interior um pequeno molho de fotografias antigas, muitas delas meio queimadas pelo fogo.
Duas meninas de tranças olhavam-na do lado de lá do papel, como se ainda vivessem, como se pudessem sair de lá a qualquer instante. Rasgou a imagem ao meio, dividindo o abraço das amigas em dois, o seu olhar faiscava no mais terrível dos fogos, o da inveja.
Guardou os dois pedaços de novo e retirou agora uma fotografia de Daniel, assim que lhe tocou perdeu a força nas pernas e caiu sobre o colchão de palha mal cheiroso. Aqueles olhos, aquele rosto, os cabelos em desalinho .
Fez descer “Daniel” por dentro da sua roupa, passou pela zona onde a pele não sentia, aquela mancha acastanhada e enrugada, aquela gigantesca cicatriz que lhe roubara a possibilidade de amar. Prosseguiu a descida aos infernos que a deixava louca e pousou a fotografia bem ali, onde nunca ninguém tocara, esfregando-a como se quisesse arrancar a sua própria virgindade daquela boca infernal. Sentindo Daniel sobre ela, beijando-a no lugar onde tudo começava e acabava.
- Beija a tua Laura, suga-a bem aí. A Laura gosta Daniel, sim...
Mas o bater na porta arrancou-a ao êxtase. Um bater furioso, determinado, violento.
- Abre já esta porta!!!!! Eu sei quem és Constança, eu sei quem és!!!!!!
A voz de Gina gelou-a por dentro.