Há quem goste delas curtas, há quem as aprecie mais longas, mas para nós o tamanho não importa, uma história merece sempre ser contada.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

O Inverno e a Aldeia 12

(Documento nº1, caixa 1, registo de investigação policial)

RELATÓRIO INICIAL DE INVESTIGAÇÃO
LOCAL: Apartamento sito no 4º andar do prédio nº 1 da Marginal de Cascais
IDENTIFICAÇÃO DA VÍTIMA: Maria da Conceição Felismino
DATA: 10 de Outubro de 1973
DESCRIÇÃO DA CENA DO CRIME: trata-se de um apartamento situado no último andar do referido prédio. Constituido por um hall de entrada, uma cozinha, dois quartos, uma sala e varanda que circula toda a área da casa (ver planta em anexo). A vítima foi encontrada pela mulher-a-dias no quarto principal. À chegada o investigador deparou-se com o corpo da vítima deitada, nua, na cama. Não se detectaram sinais de luta. A ordem na arrumação da casa estava aparentemente mantida. Todos os indícios apontam para que o crime tenha sido iniciado e concluído no quarto da vítima.
Há claros sinais de crime passional violento. O corpo encontra-se lateralizado sobre o seu lado direito. O cadáver está muito pálido, houve perda de sangue exuberante mas os lençóis estão praticamente limpos. Existe uma grande mancha na parede que se situa á cabeceira da cama. Presume-se que será sangue com uma substância esbranquiçada que se apresenta em pequenos montículos agarrados á cabeceira de madeira trabalhada da cama. Presume-se que se trata de substância encefálica. O crânio da vítima apresenta-se largamente deformado. Cerca de um terço da calota craneana (á direita) foi, aparentemente, pulverizado e projectado para a cabeceira da cama. Não foi possível encontrar o olho nem a orelha direita da vítima. Presume-se que a causa de morte terá sido traumatismo violento com objecto rombo. As bordas da ferida mostram pequenos sulcos no osso exposto que fazem presumir um objecto serrilhado. A averiguar pela medicina forense. Nos flancos da vítima surgem pequenos sulcos paralelos espaçados em cerca de 3 cm entre eles (em grupos de 5) com uma profundidade de cerca de 1 cm. Feitos post-mortem. A vítima apresenta ainda fracturas dos ossos dos braços e pernas, que se encontram colocados em ângulos anatomicamente impossíveis.
As janelas da varanda encontram-se fechadas por dentro à chegada do investigador. Não há sinais de violação. Aguarda-se por mais dados forenses.
Conclusão: crime de homicídio voluntário e premeditado com uso de violência extrema e mutilação do corpo post-mortem, presume-se que de causa passional. Ainda não foram identificados suspeitos.

4 comentários:

Nuvem disse...

Lindo Miguel
Quase parecia descrito por um investigador CSI .... ou um enfermeiro ;)
muito bom!

Ana C. disse...

ahaha o amante era um urso pardo certamente :)
Muito bom Miguel, a verdadeira descrição forense/CSI S.Vicente da Lua

Melissinha disse...

haha o amante era um urso pardo é excelente.
(A minha cabeça e os meus dias estão a mil, como sabem.)

Ana. disse...

Atão, mas já chegaram a Cascais?!...
Vou ler o resto!

;)