Há quem goste delas curtas, há quem as aprecie mais longas, mas para nós o tamanho não importa, uma história merece sempre ser contada.
quarta-feira, 8 de julho de 2009
Do outro lado da mira: ménage à trois.
segunda-feira, 6 de julho de 2009
Do outro lado da mira - "Napoleon"
Pela primeira vez João tinha dúvidas no seguimento da sua missão, a vida de Leonor estava em risco mas também não queria deixar de desvendar todo este mistério. Três Anas é algo que nunca lhe tinha acontecido.
Apanhou um táxi e pediu para o deixarem no Hotel "Napoleon", era o hotel onde ficava sempre que vinha a Paris, a secretaria do banco tinha sempre o cuidado de o instalar na melhor suite e a sua chegada era sempre muito discreta. Sabia que tinha que ser discreto, por isso optava sempre por ficar no "Napoleon", no caso de alguém do banco tentar falar com ele, sabiam que era ali que ficava sempre. Não queria levantar suspeitas.
Quando terminou de fazer o check-in a recepcionista informou-o que tinha um envelope para ele no seu quarto, que tinha sido deixado logo de manhã.
Estranhou já ter algo à sua espera no hotel, ele próprio só sabia que vinham à algumas horas atrás. Foi encaminhado pelo empregado até à suite 44, e pousou a sua pequena mala em cima da cama. Abriu a janela que dava para o o Arco do Triunfo e sem se sentar abriu o envelope.
Várias fotografias, uma breve apresentação sobre a vida profissional de Ana, os seus gostos literários e musicais. Para ele as três fotografias mais importantes eram as das três irmãs. Por trás de cada uma delas, estava uma breve discrição dos seus feitios, dos seus tiques e também algumas diferenças físicas que eram bem visíveis, o que para ele acabava por ser uma grande ajuda. Descobriu que de todas elas Ana era a única que tinha uma mescla de cabelo louro junto à orelha direita. Era uma mescla muito pequena que nem sempre era visível, principalmente quando ela andava com o cabelo apanhado.
Descobriu através do envelope que lhe tinha sido deixado onde é que estavam hospedadas e começou por programar o seu dia para as começar a seguir.
As horas foram passando e quando deu por isso a tarde já tinha passado, escondeu as fotografias e os documentos dentro do cofre e foi até ao "Le Boudoir" o seu restaurante preferido de Paris.
Chamou o elevador e poucos segundos depois as portas abriram-se. Entrou e tentou disfarçar a sua admiração. Ali ao seu lado estava uma das Anas, não conseguiu distinguir qual delas era, olhou atentamente para o cabelo mas nada da tal mescla, ouviu com atenção a conversa que esta estava a ter ao telefone. « Sim, vou ter contigo ao "Le Boudoir" mas olha que eu acho que eles só servem refeições ao almoço...está combinado...até já então».
João ficou espantado, sem saber ela iria jantar ao mesmo restaurante que ele, era a oportunidade que ele teria para descobrir mais sobre elas e criar a oportunidade ideal para finalizar a missão.
Do outro lado da mira - no aeroporto
O telemóvel toca. Leonor. Leonor e os seus timings perfeitos.
- Leonor, estou a caminho de uma reunião importante, podias deixar isso para...
- A Leonor está bem.
João não reconhece a voz àquele homem, mas sabe exactamente quem é.
Sérgio Andrade. Seja esse o nome de uma pessoa ou uma organização.
- Vai-me dizer o que devo fazer para ela continuar bem, não é?
- O mesmo humor de sempre, João.
Ok, já estamos a fazer progressos. É alguém do passado.
- A mulher do avião? Esquece-a.
- Então é mesmo a tal...
- É mesmo a tal de quem a vida da tua mulher depende. É a tal que te tem pelos tomates, portanto. Esquece-a.
João olha para um lado, olha para o outro. Não sabe da mulher do avião.
- Não será difícil, já a perdi.
- Os vossos caminhos vão voltar-se a cruzar. E tu, João, vais-te desviar dela.
João tem um ar de riso. Claro que não era só um quadro.
- Como é que sei que não clonaram o telefone da Leonor? Quero uma prova!
- Sempre soubeste identificar bluffs, João.
João suspira. É verdade.
- Quando tivermos o Modigliani, terás a tua mulher.
Desligam.
O quadro, outra vez. Seja o que for, aquela mulher e aquele quadro parecem ser duas faces da mesma moeda. Do mesmo conceito.
E, de repente, Ana reaparece. Tem agora uma maleta preta e dirige-se à porta de saída. João caminha em passos firmes sem desviar o olhar. Ela passa a porta giratória. Segundos depois, ele também. Quase tropeça num mendigo que está ali sentado com um pratinho de moedas.
E lá, encostada ao Mercedes preto, está outra Ana. Vestida exactamente com o mesmo tailleur escuro.
João esfrega os olhos.
A Ana do avião cumprimenta a outra com um beijo demorado nos lábios. A porta do condutor abre-se e sai de lá outra mulher.
Outra Ana. Idêntica.
Trigémeas.
Depois dos cumprimentos rápidos, entram as três no carro e partem.
João está atónito.
Qual delas será o seu alvo? Se falhar, é banido do "Banco". Se for bem sucedido, perde Leonor.
Precisa de beber um café para aplacar o efeito do Xanax e pensar em tudo isso. Ao passar pela porta giratória, sente uma mão a agarrar-lhe o tornozelo. É o mendigo.
- Quoi qu’il arrive... Ne te laisse pas influencer par la première image.
João olha-o. Mas que diabo...
- Quelle image?
- Pense deux fois.
O mendigo larga-o. Pela primeira vez em anos de profissão, João sente-se encurralado.
domingo, 5 de julho de 2009
Novo Membro na Equipa
A Melissa, minha colega de trabalho e amiga vai-se juntar nesta viagem um bocadinho alucinada iniciada por dois perfeitos desconhecidos que se juntaram por empatia de escrita.
Tenho a certeza que vamos ficar surpreendidos com a contribuição de mais uma alminha iluminada (até parece que é um blogue erudito).
Miguel, como é que é? E se deixássemos a Melissa dar um pézinho de dança já "No outro lado da mira?". A ver se o blogue não anda tanto tempo parado.
terça-feira, 23 de junho de 2009
Do Outro Lado da Mira - Insegurança

À medida que o avião deixava para trás Lisboa, juntamente com a sua vida incógnita na capital. João começou finalmente a descomprimir, como se a altitude de alguma forma o ajudasse a deixar em terra todos os sentimentos de culpa que começavam lentamente a assaltá-lo.
Tirou a fotografia de Ana do envelope de papel pardo e olhou mais uma vez a mulher morena, de olhar esverdeado e fundo, que parecia falar com ele através da imagem.
Pela pesquisa rápida que fizera, o tal quadro de Modigliani que se encontrava na sua posse havia estado exposto na National Galery of Art em Washington D.C.
Fora gentilmente cedido por ela a pedido da galeria, mas passados 10 anos ela decidira levá-lo de novo para a cidade que o vira nascer como artista, Paris.
Respirou fundo e olhou as restantes indicações na sua agenda. Galeria de Arte na Rue du Bac. Era aí que o quadro estava agora exposto, juntamente com toda a colecção privada daquela mulher de olhar misterioso.
Porque é que simplesmente não tentavam subtrair o quadro? Porquê matar a dona do mesmo? Subitamente tudo lhe parecia demasiado frívolo. Matar alguém por causa de um quadro?
Ele nunca se debruçara sobre os motivos por detrás das ordens que recebia, mas desta vez experimentava uma sensação nova. Era como se a sua consciência começasse a despertar de um sono profundo. As palmas das mãos suadas denunciavam a insegurança, a boca seca revelava a falta de palavras que justificassem o que estava prestes a fazer com aquela mulher.
Desapertou o botão do colarinho e fechou os olhos, tentando recuperar a sua velha frieza.
- Sente-se bem? – Aquela voz suave fez com que abrisse de novo os olhos e quando o fez percebeu que tinha à sua frente, de pé no corredor do avião, uma mulher de cerca de 40 anos, olhar esverdeado e seguro, cabelos morenos.
- Medo de voar, apenas isso. – A voz saiu-lhe com a sua fiel firmeza, assumindo um tom neutro.
Ela sorriu-lhe e seguiu caminho até ao seu lugar.
Ele inspirou e expirou, inspirou e expirou numa tentativa vã de controlar o seu estado de ansiedade. Quais seriam as probabilidades de viajar no mesmo avião que a mulher que teria que assassinar?
segunda-feira, 22 de junho de 2009
Do outro lado da mira: Ana.
"Ah... sim! Ana... Ana Casaco. É uma especialista e coleccionadora de arte, principalmente quadros. O nosso cliente deseja uma peça que está na sua posse mas ela está renitente. Uma obra de Modigliani... mas enfim, não interessa. O que interessa é que o nosso cliente não está nada satisfeito com o comportamento dessa senhora e deseja que ela desapareça."
sexta-feira, 29 de maio de 2009
Do Outro Lado da Mira - Desconfiança
Sentiu a superfície gelada da chave na sua mão enquanto corria até ao escritório. O seu coração acelerado, todos os seus instintos alerta. Assim que deixasse de ouvir a água do duche tinha que devolver a chave ao seu devido lugar.
Ela tinha que abrir a gaveta mistério. Alguma coisa lhe dizia que era ali que João escondia o que quer que andasse a esconder.
O seu coração feminino nunca se enganava e ela tinha a certeza que o marido a traía. Nunca mais lhe tocara, nunca mais a olhara como um homem deve olhar uma mulher. Andava brusco, impaciente, irascível. Isso só podia querer dizer uma coisa...
A mão trémula conseguiu encaixar a chave na pequena fechadura e ao abri-la, nem ela própria estava preparada para o que se revelava do seu interior.
Pegou na primeira fotografia que repousava sobre o extenso molho. Uma mulher de traços nobres, sofisticada, sorria para a câmara, como se a namorasse. Ela abafou um pequeno grito quando leu a mensagem escrita nas costas da fotografia.
" Tua Até à Eternidade"
Leonor colocou a fotografia sobre as outras e virou a sua atenção para um pequeno envelope escrito com uma caligrafia muito feminina.
Ao Cuidado de Sérgio Andrade.
- Sérgio Andrade? - Pensou e repensou aquele nome, tentando encontrar algum sinal na sua memória que lhe dissesse que o conhecia. Mas uma voz interrompeu o seu pensamento:
- O que é que pensas que estás a fazer Leonor?
Ela deixou cair o envelope e olhou o marido num misto de culpa e incredulidade.
terça-feira, 26 de maio de 2009
Do outro lado da mira.
quinta-feira, 21 de maio de 2009
Parabéns Sr. Enfermeiro!
Miguel seu enfermeiro tantas vezes desanimado que apela ao espírito criativo para que lhe valha:
Eu acho que ele te valeu.
Tens-te vindo a revelar de história para história como uma espécie de criativo nato que não cansa de surpreender. Mas acho que este desfecho com cheiro a enxofre superou todos os outros.
Muito embora a imagem da Alzira a sexar com uma garrafa térmica vá povoar os meus pesadelos nos próximos tempos, foste mais do que criativo. Ou então tens uma mente diabolicamente retorcida e andas a cheirar éter pelos corredores do hospital :)
PARABÉNS!
E já sabes, quem lança a próxima história és tu.
Eu quero matar a minha mulher: agora sim, o fim.
sexta-feira, 15 de maio de 2009
Eu Quero Matar a Minha Mulher - Fim (ou nem por isso?)
Não falharia. Observou o esquentador, comprado há pouco tempo e por isso, pouco atreito a avarias mortais. Provocar-lhe uma avaria certamente deixaria rasto. Teria que ser de outra forma. Abriu e fechou os bicos do velho fogão, a porta do forno e enquanto ligava o gás de um dos bicos foi levantado do chão pela voz que o enojava até às entranhas.
- A minha canja seu imprestável? É preciso ir aí aviar-te seu paneleiro?
Prudêncio respondeu com a voz mais serena que conseguiu:
- A canja está a cozinhar!!! – Mal sabes tu a canja que te vou fazer minha vaca, ruminou de si para si.
Enquanto pensava que seria a última vez que aquela megera gritaria ordens na sua direcção sentiu um forte murro na nuca. Alzira levantara-se desconfiada e ao verificar que não havia canja ao lume praticamente espumava de raiva.
- Seu inútil careca de merda que nem uma porra de uma água com frango e arroz metes no lume! És pior que uma galinha depenada. A minha canja?!!!!!! Queres-me matar?!!!! Não vês que estou desarranjada da tripa? - Um forte ruído vindo do interior da gigantesca pança da mulher deu o toque final ao seu discurso. Ela continuava pontapeá-lo, a esbofeteá-lo, como se isso de alguma forma a pusesse melhor.
- Ai pára, pára. Falta-me o frango. Não queres canja sem frango, pois não? Deixa-me sair que o vou comprar! Ai! A voz de Prudêncio era de puro desespero.
As lágrimas de humilhação e dor caíam sobre o rosto oleoso de Prudêncio. Alzira olhava-o implacável:
- Se demoras mais de 15 minutos a ires ao talho do Vítor e voltares, vou-te buscar e vens de rastos.
Prudêncio virou costas e fugiu porta fora. As lágrimas mal o deixavam enxergar o caminho à sua frente. Sentou-se no banco de jardim e chorou de puro ódio. O tempo passou e à medida que se ia acalmando um pânico crescente bem no fundo do pensamento saltou para a frente dos seus olhos. Com a confusão, deixara o bico do gás ligado. Alzira certamente nem notaria o gás a espalhar-se pelo apartamento. Meu Deus, o que é que fora fazer? Não podia ser assim. Não era o que tinha programado. A canja, ela tinha que comer a canja. A culpa seria dele, o que faria com tamanha culpa? O que faria sem Alzira?
Levantou-se do banco de jardim e cego de pânico correu até ao velho prédio onde sempre morara com aquela que era, apesar de tudo, a sua mulher. Tinha que a salvar.
Enquanto subia as escadas de madeira gritava:
- Alzira eu estou a ir, não te enerves comigo! Eu não fiz por mal!
Abriu a porta do apartamento mal iluminado e sem pensar duas vezes ligou o interruptor da luz. A última coisa que ouviu foi um enorme estrondo que o ensurdeceu e uma luz tão intensa que o cegou para sempre.
Enquanto era consumido pelas chamas que engoliam a casa juntamente com o seu pequeno corpo. Conseguiu ainda ouvir as vozes dos bombeiros e sobre as vozes na rua, uma que se impunha sobre todas as outras:
- Aquele traste pegou fogo à casa.
Foram estas as últimas palavras que ouviu antes de partir em direcção à luz reconfortante e serena.
Uma frase saiu ainda da sua boca retorcida pelas chamas:
- Desculpa Alzira, não fiz por mal...
quinta-feira, 30 de abril de 2009
Aviso à Navegação
Miguel se te quiseres aventurar na continuação a casa é tua :)
Quanto a vocês se quiserem deixar sugestões força!
terça-feira, 28 de abril de 2009
Eu Quero Matar a Minha Mulher: 605 Forte
quarta-feira, 22 de abril de 2009
Eu Quero Matar a Minha Mulher - À segunda é de vez
Uma espécie de riso idiota na sua expressão que não estava lá no dia anterior. Prudêncio era submisso na cama, atendia-a, obedecia-lhe sem grande ardor, mas o suficiente para lhe tirar os calores. Agora o que se passara essa manhã era novidade. Ser ele a praticar um bocadinho de dor durante o acto sexual? Geralmente era ela quem lhe batia. Agora o contrário? Decidiu romper o silêncio do bacon a frigir ao lume:
- Que cara de estúpido é essa? O que é que te deu hoje para me enfiares a almofada nas ventas?
Prudêncio treme, pensa rápido:
- julguei que gostasses…
- Gostar que me vomites em cima? Tu estás a mangar comigo? Raça do homem, que besta que me saíste.
Prudêncio enche o prato dela de bacon gorduroso e reza interiormente para que as artérias dela expludam de uma vez por todas.
Ela enfia uma tira escaldante para o interior da boa cavernosa enquanto o fita com olhar de lince.
- Tu estás-me a esconder alguma coisa? É que se eu descubro que estás com ideias…
O bigode dela parecia agora alagado em essência de bacon. Ele escondeu mais um arrepio de repulsa, enquanto se sentava com a sua caneca de café, olhando em volta. Buscando ideias luminosas no interior da cozinha. Mas logo foi despertado por um estalo que quase o virou ao contrário.
- Olha para mim!!!!
- Porque é que tens que ser sempre tão violenta? Começo a ficar farto disto! Tu sabes que ainda olham para mim na rua. Nada me impede de te trocar por outra!
O riso dela propagou-se por cada divisão daquela casa húmida. As gargalhadas eram guturais, deixando ver a comida já mastigada no interior da sua boca.
- Quem é que olha para ti diz lá. Uma merda de um homem como tu. O que é que tu tens que faça virar cabeças na rua? Uma verga murcha e seca, um monte de ossos sem préstimo, duas pernas de alfinete que nem para marcarem bainhas servem de tão finas. Enxerga-te e traz-me mas é café, que só consigo olhar para ti depois de duas chávenas dessa mistela que fizeste!
Prudêncio arrasta-se pela cozinha e de açucareiro vazio na mão abre a despensa para tirar o açúcar.
- Quero essa zurrapa bem doce!
Ele lança a mão ao pacote de açúcar, desta vez rezando interiormente para que o diabetes a leve com gangrena, ou coisa pior, quando bate os olhos no veneno para ratos, pousado na prateleira inferior. Mais uma vez é trespassado por um flash luminoso. E sabe que tem que agir depressa, muito depressa. Um sorriso pérfido molda-lhe os lábios finos e molhados enquanto escuta a mastigação ruidosa de Alzira...
terça-feira, 21 de abril de 2009
Eu Quero Matar a Minha Mulher: touro bravo
domingo, 19 de abril de 2009
Eu Quero Matar a Minha Mulher - Tentativa
- Anda cá homem.
O pénis de Prudêncio encolheu em directa proporção com o seu asco. O hálito a tártaro, o buço que parecia esvoaçar, o cabelo oleoso com um capacete de rolos. Não conseguia sequer pensar na mulher que todo o seu corpo começava uma dança no sentido do vómito. Mas a voz dela não o deixou fugir:
- Não vês que estou carecida disso? Anda cá, do que é que estás à espera? És feito de quê afinal? De merda? Anda, monta-me!
Cada palavra dela era uma chapada na sua masculinidade e em vez de uma explosão de desejo, Prudêncio tremia até ao mais íntimo do seu ser.
- Estou cansado. Agora não…
A mão dela acertou-lhe na face corada e podia jurar que dois dentes tinham saído projectados.
- Vem cá. Já te disse que preciso! Ou te pões teso, ou mato-te de pancada e juro que não te deixo um dente nessa cremalheira seu trapo velho, sem préstimo.
Prudêncio trémulo comunicou com o seu pénis, numa linguagem muito deles. Implorou-lhe que se arrebitasse, que desse sinais de vida, que saísse do desmaio, para lhe salvar a vida mais uma vez.
Alzira puxou-o para cima dela como um animal no cio. Ele olhou os rolos que lhe cobriam a cabeça e tentou imaginar uma mulher loira, magra, bem cheirosa. Mas em vão, tudo nele murchava como uma num dia de vento. Até que olhou a almofada atirada para o lado e pensou de uma forma tão veloz que se assustou a ele próprio. Só isso poderia salvá-lo. Seria tudo ou nada. Agora, ou nunca e com as duas mãos a tremerem, agarrou na almofada e colocou-a com todas as forças sobre aquela carantonha diabólica. Pressionou, pressionou, pressionou com toda a raiva, asco, humilhação. Ele tinha que conseguir sufocá-la…
sexta-feira, 17 de abril de 2009
Eu Quero Matar a Minha Mulher: resolução
quarta-feira, 15 de abril de 2009
Eu Quero Matar a Minha Mulher
Um arrepio de nojo percorreu-lhe o corpo todo, despertando-o para mais uma noite de insónia. Toda ela exalava um cheiro adocicado que o agoniava para além do que julgava ser possível . Como é que poderia tocar-lhe, beijá-la, possuí-la se a única coisa que sentia por ela era repulsa pura e simples. As pernas grossas quase sempre por depilar, a voz esganiçada que se dirigia a ele com insulto fácil. As mãos de unhas mal tratadas e grosseiras que o agrediam vezes sem conta tinham-no transportado para um estado de quase automatismo. Dizia o mínimo, fazia o máximo só para se esquivar às suas agressões.
Envergonhado, humilhado, rebaixado diariamente não tinha coragem para admitir perante os outros que era uma vítima da sua própria esposa. Seria certamente gozado, escarneceriam dele sem dó nem piedade.
Por isso cada noite que passava acordado ao lado daquele dejecto humano uma terrível certeza tomava conta dele. Uma certeza cada vez mais palpável, mais inevitável. A certeza de que a única forma de se salvar seria matando-a. Só precisava de pensar na melhor maneira de o fazer...
terça-feira, 14 de abril de 2009
Um Estranho caso de Amor: recomeço.
"Como..."
"Passou aqui a maior parte do seu tempo de vida. Dormiu, comeu, chorou aqui. A primeira palavra que disse foi "papá", numa manhã em que entrávamos para te visitar. Brincou ao teu colo, dormiu no teu peito. Sempre dormiu tranquilamente no teu peito, como agora. Como se soubesse que voltarias para nós a qualquer instante."
"O António voltou para Londres, Rodrigo. Ele sabe que nunca vou amar nenhum homem como te amo a ti!!". Abraçaram-se num abraço que ambos julgaram interminável. Estavam juntos finalmente, uma família!
O médico exibiu um sorriso forçado "Interessante escolha de palavras..." disse para si mesmo "Bom Rodrigo, o acidente causou muitos danos. O facto de ter ocorrido mesmo ás portas da urgência foi um factor fundamental para que esteja connosco hoje. Contudo, apesar de estar tudo normal do ponto de vista neurológico, alguns danos foram irreparáveis..."
domingo, 12 de abril de 2009
Cartas de Amor
Quando toco nas tuas mãos sei exactamente a textura que vou encontrar, quando sigo os teus passos na areia da praia sei que os meus pés vão encaixar dentro da marca dos teus e gosto de me sentir dentro do teu caminho. Saber que rumo a ti, como quem ruma a Norte, como quem quer chegar a um porto seguro.
Não gostas de olhar as estrelas que nos chamam de noite, mas gostas de me olhar no escuro. Não corres para ver um por-do-sol, mas antecipas cada sorriso meu, não descobres uma novidade todos os dias, mas redescobres-me a cada final de tarde que te traz para casa, juntamente com toda a tua alegria.
Não fazíamos grande sentido antigamente, quando ainda não nos tínhamos. Mas agora sei que deixámos de fazer sentido separados.
A folha de papel queimava-lhe as mãos trémulas e chorou por tudo o que tinha perdido. Sabia no entanto que jamais voltaria a perdê-lo. Ao amor que aprisionara bem dentro de si, que continuava a elevá-la bem alto quando a vida teimava em projectá-la para debaixo de tudo.
Abrira aquela caixa de madeira cheia de pequenos envelopes quando ouvira alguém dizer que só os homens escreviam grandes cartas de amor. Cheirou as folhas de papel e conseguiu senti-lo de novo junto a si.
quinta-feira, 9 de abril de 2009
Um Estranho Caso de Amor - Uma Luz na Escuridão
Como é que pudera sequer duvidar de si próprio, como é que pudera supor que seria capaz de trair Helena na sua própria casa? Tinha-se em fraca conta mesmo.
As decisões foram-se formando dentro de si em catadupa, uma após a outra. Largaria o escritório, precisava de mais tempo para eles, para a família que estava prestes a ficar maior. Diria à mulher que a amava todos os dias. Não deixaria que o passar do tempo se tornasse pesado, pelo contrário, renovaria o seu amor diariamente as vezes que fossem precisas.
Helena despediu-se da imagem da filha a preto e branco. Pois em breve iria tê-la nos seus braços, iria ver o rosto que imaginara vezes sem conta ao longo daqueles nove meses. Olhou para o seu médico com um sorriso:
- Então Dr. está tudo bem com ela?
Mas a expressão do médico sempre tão bem disposta, hoje estava grave e preocupada.
Helena desfez o sorriso enquanto olhava a mão experiente do médico às voltas com a pequena sonda.
- A Helena já não volta para casa hoje. O batimento cardíaco dela está muito fraco. Temo que esteja em sofrimento.
- O que é que isso quer dizer?
- Talvez seja melhor ligar ao seu marido. Se quer que ele assista à cesariana…
- Não! Ele… O meu marido não vai assistir. Mas está tudo bem com ela? Por favor Dr. não me esconda nada. O que é que ela tem?
- Eu vou ligar para o bloco, saber se há uma sala disponível para nós. Se quiser avisar alguém…
Helena tentou desfazer o tremendo nó que lhe sufocava a voz e agarrou no seu telemóvel com as mãos trémulas. Olhou a imagem no monitor e tentou dizer à sua filha que esperasse, que em breve se iriam conhecer. Que não desistisse agora.
- Helena? António estranhou aquele telefonema logo após o telefonema de Rodrigo. – O Rodrigo conseguiu falar contigo?
- António alguma coisa não está bem com a minha filha, o meu médico acha melhor fazer uma cesariana o quanto antes.
- O que é que não está bem? – A voz de António tentava parecer o mais tranquila possível.
- Acho que está em sofrimento, não sei. Por favor, eu gostava que estivesses perto de mim. Tens sido o nosso ancoradouro durante estas semanas, eu preciso de ti, mais do que algum dia precisei de alguém.
- Mas o Rodrigo não te ligou mesmo?
- Eu não quero saber do Rodrigo. Vem António, quero-te ao meu lado.
Rodrigo estava perto do hospital, conseguia já sentir os braços de Helena em redor do seu pescoço, imaginar o olhar dela quando ouvisse o que realmente acontecera. Estava tão perdido naquela imagem que não viu a ambulância que se aproximava em marcha de emergência, nem sentiu o embate. Foi tudo demasiado rápido. Primeiro estava em frente ao hospital e pensava em Helena, depois tudo ficou escuro e sem som. Era como se tivesse regressado ao útero materno. Uma sensação quente, de voltar a casa. As vozes de pânico muito ao longe, portas a baterem, buzinas, pânico, muitos gritos. Mas ele estava bem, aliás, ele nunca estivera tão bem em toda a sua vida. Podia finalmente descansar de tudo aquilo. O rosto de Helena, a sua voz, as suas mãos pálidas acariciavam-no agora e ele deixou-se ficar.
A sala de partos era pequena e impessoal. O anestesista pediu-lhe que não se mexesse enquanto lhe aplicava a epidural. António sorria-lhe com um sorriso que iluminava toda a sala. Helena focalizou-se nele. Naquele homem que sofrera por ela, vivera por ela, respirara por ela nos últimos dias. O que fizera para merecer tanta dedicação estava para além da sua compreensão. Mas sabia que com ele não haveria turbulências de maior. Tudo era sereno e despreocupado. Tão diferente da sua vida com Rodrigo.
Ele tentara dizer-lhe qualquer coisa acerca do marido, mas ela nem quisera escutá-lo. Aquele era o momento mais importante da sua vida e não estava disposta a estragá-lo com a imagem de Rodrigo e Diana.
Só António e a sua filha a mexer-se no seu interior é que lhe haviam dado força para continuar e sabia agora que não estava disposta a deixar aquele homem ao seu lado sair para fora da vida delas.
O choro da sua filha quebrou aquele encantamento e quando a viu teve a certeza absoluta que não precisava de mais nada para ser feliz....
segunda-feira, 6 de abril de 2009
Um Estranho Caso de Amor: revelação
sexta-feira, 3 de abril de 2009
Um Estranho Caso de Amor - Choque
António sabia que um longo caminho de recuperação esperava por ele. Um caminho nem sempre cheio de sucessos, mas que com o estímulo e dedicação certos, tinha tudo para ser vencido. Pousou uma mão sobre o vidro impessoal que o separava da sala de recobro e ficou ali a ver a imagem daquele casal. A esperança de conseguir um dia ficar com aquela mulher nunca o abandonaria, apesar de tudo, ele era um homem fiel àquilo em que acreditava.
Passaram oito meses. A barriga de Helena assumia já o volume de quem está prestes a conhecer um filho e Rodrigo fizera progressos extraordinários. Coordenava já os seus movimentos, construía frases a um ritmo normal e a sua memória regressava mais um bocadinho todos os dias.
Almoçava com Helena numa esplanada quando as seguintes palavras decidiram brotar da sua boca sem consentimento:
- Eu não merecia nem metade da tua dedicação.
- Como assim não merecias? Na saúde e na doença, diz-te alguma coisa?
- Diz-me que fui um estupor. Que te negligenciei, que deixei que me seduzissem, quando tenho a mulher mais fantástica do mundo ao meu lado.
Helena franze a testa, duas pequenas rugas, que ele conhece de cor, vincam-lhe aquela parte do rosto.
- O António explicou-nos vezes sem conta que a tua agressividade foi provocada pelo tumor. A culpa não foi tua…
- Eu traí-te Helena. Da forma mais miserável possível…
Helena engole em seco, no fundo de si, pensa que ouviu mal.
- Não olhes assim para mim. Todos os dias me lembro mais um bocadinho e à minha lembrança vem-me a Diana na nossa cama, na nossa casa. Eu traí-te mais do que uma vez! Não me perguntes como é que as coisas chegaram a esse ponto, pois não me lembro de ter uma relação para além do escritório com ela. Não sei o que aconteceu, como é que caímos nos braços um do outro, mas a verdade é que tive outra mulher e pior do que isso. Gostei.
Helena não chora. Recusa-se a deixar que a emoção leve a melhor. Sempre disse a Rodrigo que jamais lhe perdoaria uma traição, mas agora que ouvia aquilo, a perspectiva de o perder parecia dolorosa demais.
- Como é que foste capaz?!! Na nossa casa??? Como é que me fizeste isso, eu confiava em ti! Eu fiz tudo por ti…
Rodrigo tenta alcançar a mão dela em vão. Helena já se levanta, fora de si.
- Eu não sei o que é que me deu, ou porque é que as coisas aconteceram! Eu amo-te Helena! O que fizeste por mim…
- Devia ter sido a Diana a cuidar de ti, a limpar-te a baba, a ensinar-te a falar, a caminhar. Porque é que não a chamaste?! Tu és a maior decepção da minha vida! Nunca, ouviste bem, nunca vou conseguir esquecer!
Rodrigo olha Helena com lágrimas nos olhos. Não tem reposta, pois sabe que Helena está coberta de razão.
- O que é que eu posso fazer para me perdoares?
- Todas as coisas baixas que me disseste, que eu não me produzia para ti, que não saíamos! Não foi porra de tumor coisa nenhuma. Foste tu, tu! Comparada com aquela Diana, é claro que sou um pãozinho sem sal.
Rodrigo quer falar, mas tudo o que possa dizer vai soar a desculpa esfarrapada.
- Não saias da minha vida Helena.
- Olha para mim. Já saí!
Helena afasta-se a passos largos e à medida que a distância entre ela e a mesa daquela esplanada se alarga, as contracções que vem sentindo desde manhã tornam-se mais intensas, até a impedirem de andar. Ofegante encosta-se a um velho muro e pega no seu telemóvel. Só há uma pessoa a quem pode pedir ajuda naquele momento. Uma pessoa que os acompanhou durante estes meses como um verdadeiro amigo, apesar de sentir por ela muito mais do que uma amizade.
- António é a Helena. Eu sei que só te ligo nestas alturas, mas achas que podes vir ter comigo? – A voz dela é calma, mas bem lá no fundo desesperada.
- O que é que aconteceu Helena?
- Vou deixar o Rodrigo e acho que vou ter o bebé…
quinta-feira, 2 de abril de 2009
Um Estranho Caso de Amor: alívio
quarta-feira, 1 de abril de 2009
Um Estranho Caso de Amor - Uma única certeza
- Pensamos que conhecemos alguém por dentro e por fora só para descobrirmos que ninguém conhece ninguém de verdade. As pessoas revelam-se sempre, mesmo aquelas que mais amamos. – A sua mão trémula limpa o rosto molhado, numa tentativa vã para deixar de chorar.
António limita-se a pousar uma mão sobre os cabelos de Helena, num gesto que não perdera mesmo passados tantos anos. Como é que ela se esquecera daquele homem com tanta facilidade? Como é que pudera apagar 3 anos de um relacionamento tão sereno, apenas porque Rodrigo surgira na sua vida?
António sempre fora um estudante brilhante, um namorado dedicado, fiel, meigo. Fora o primeiro homem a quem se entregara e jamais se arrependera disso por um único instante. Por isso ao olhá-lo agora, já com os cabelos salpicados de cinzento, o olhar preso na estrada, aquela mão gentil nos seus cabelos, pensou no rumo que a sua vida teria tomado se tivesse ficado ao lado dele.
- Fala-me de ti António, por favor. Faz-me esquecer da minha própria vida nem que seja só por um minuto.
António sorri.
- A minha vida não é propriamente a coisa mais excitante do mundo, mas se me queres ouvir falar…
- Por favor fala, ajuda-me a esvaziar a cabeça.… - A voz dela era uma súplica.
- A minha vida seguiu um rumo certinho, sem desvios. Acabei o curso com média de 18. Estive uns anos em Londres a exercer, fui convidado a ficar por lá. Mas decidi que fazia mais falta aqui, por isso voltei há cerca de 2 anos. Ontem estava num congresso estúpido quando decidi ir apanhar um bocadinho de ar. Foi aí que te vi sentada no passeio. Até para um homem de ciência como eu é difícil não acreditar no destino quando estas coisas acontecem.
Helena sorri.
- Sempre foste tão céptico em relação a tudo isso...
- Menos em relação a ti. Sempre tive a certeza absoluta que um amor assim só se encontra uma vez na vida.
Helena podia ter ficado incomodada, mas ouvi-lo falar do amor que sentira por ela parecia a coisa mais natural do mundo.
- Eu tenho uma teoria bastante científica acerca do assunto.
- Morro de curiosidade.
- Há alguém destinado para ti no planeta terra. Alguém a quem a força da gravidade, da atracção, do que lhe quiseres chamar, é impelido na tua direcção. Pode demorar anos até que essa pessoa se cruze no teu caminho. Muitas pessoas se perdem umas das outras, pois não estão atentas e essa distracção pode custar-lhes bem caro. Mas eu sempre fui uma pessoa focada. Quando te vi entendi logo que eras a minha companheira de viagem. Tu não me viste como eu te vi. Mas nunca desisti de ti Helena, pois sabia que muitas vezes temos que perder alguém para o encontrar. E que tu tinhas que me perder para me reencontrares. Simples, não é?
Como é que alguém podia amar outra pessoa independentemente de tudo? Não perder a fé, mesmo quando o outro partia noutra direcção? Como é que alguém podia manter-se firme num amor que tinha apenas um lado? Helena não sabia a resposta. A única certeza que tinha era que se existia alguém capaz de um sentimento assim, esse alguém era António.
- Estás consciente de que amo o Rodrigo? Apesar de poder ser o homem mais errado para mim, é a ele que amo?
António sorri, encosta o carro junto à praia e desliga o motor barulhento. Vira-se e encara Helena com um sorriso.
- Eu sei esperar Helena. E por um grande amor espera-se sempre.
Helena abana a cabeça, incrédula.
- Chegas a assustar-me.
António acaricia o rosto dela. O toque da mão dele na sua pele não a deixa indiferente, mas é Rodrigo quem lhe assoma à mente, por isso segura na mão daquele homem ao seu lado, como se o travasse.
- Eu sei que te magoei muito quando terminei tudo entre nós. Não quero voltar a magoar-te António. Não mereces…
António respira fundo e muda o rumo daquilo em que pensa.
- O que é que tencionas fazer Helena? Tens um marido violento, que te insulta, te maltrata numa altura em que mais precisavas dele. Tencionas voltar a correr para os braços de alguém que te deixa tão infeliz?
Helena desvia o olhar, fita aquele mar revolto na esperança de encontrar algum tipo de resposta.
- Agora que te reencontrei não tenciono perder-te. – António nunca dizia o que não sentia, desta vez não era diferente.
- Leva-me para casa António. Eu vou ter uma última conversa com o Rodrigo.
- Levo-te a casa com uma condição. Deixares-me subir contigo. Se o teu marido ainda estiver com aquele olhar enlouquecido, não tenciono deixar-te sozinha com ele.
- Como queiras.
O sol levantava-se no horizonte, aquecendo-os na viagem de volta. Muito pouca coisa foi dita entre eles. António pousou a sua mão na mão dela na maior parte do tempo e Helena deixou-a ficar, sem a menor pressa de chegar a casa.
Os dois entraram no apartamento abafado. Um cheiro a tabaco e a álcool pairava no ar. António abriu caminho pela casa. Helena atrás dele com o coração nas mãos, um sentimento de angústia avassalador, como se alguma coisa terrível estivesse prestes a acontecer. Por isso quando entraram na cozinha e viram Rodrigo estendido no chão, Helena de alguma forma sentia que seria isso mesmo que encontraria quando chegasse a casa. Tudo à sua volta se desfocou, por isso nem viu bem António que caiu de joelhos no chão ao lado de Rodrigo, tomando-lhe o pulso, vendo-lhe os olhos, gritando qualquer coisa para o seu telemóvel. Era como se tivesse acabado de sair do seu próprio corpo e tudo o que se passava agora fosse exterior a ela.