Há quem goste delas curtas, há quem as aprecie mais longas, mas para nós o tamanho não importa, uma história merece sempre ser contada.

quarta-feira, 22 de julho de 2009

O Palpitar da Paixão - Mas livrai-nos do Mal

Gina olha à sua volta. o quarto que lhe atribuíram é pequeno e austero: uma cama estreita, uma mesa de cabeceira pesada com uma vela (“a energia falha muitas vezes nos cómodos dos empregados”, disse-lhe a jovem criada que a trouxe para o quarto) e um roupeiro. Sobre a cama, um terço de madeira oitocentista velaria o seu sono. Gina benze-se com um humilde baixar de olhos.

Abre a sua mala e vai tirando de lá os seus parcos pertences: alguma roupa de tons escuros, um missal e um rosário. Uma fotografia dela própria com um grupo de freiras.
“Que Jesus e Maria te acompanhem sempre – Orfanato das Madalenas Descalças, 1988”. Gina apoia a fotografia na vela, de modo que as doces irmãs também zelem pelo seu sono.

Depois de arrumada a roupa no roupeiro, Gina começa a preparar-se para a noite. Desabotoa lentamente a sua camisa e deixa escorregar a sua saia pelas pernas abaixo, ficando apenas de combinação. A noite é fria... Muito fria, mas algo a aquece por dentro. O Fogo de Deus, pensa. O Fogo de Deus, que também guiou os meus passos até esta casa. Sente-se tão quente que tira a combinação num impulso, ficando apenas com as suas cuecas de algodão cru.

Atira-se para a cama e começa a rezar. De súbito, no meio da oração, eis que lhe surge em meio aos seus pensamentos mais pios a imagem bruta e sofrida do Sr. Carvalho e uma nova onda de calor a invade. É impossível afastar da sua mente os contornos do corpo daquele homem: os ombros protectores, as mãos ásperas, as nádegas bem definidas. O cheiro dele. Nunca sentira algo com esta intensidade antes e era muito diferente do Fogo de Deus. Este novo calor tirava-lhe o domínio sobre o próprio corpo e conduz-lhe uma das mãos às suas partes mais íntimas. É o diabo, pensa. Gina tenta ir contra o impulso malévolo e recita uma oração em voz alta, muito alta, tentando voltar ao seu curso de pensamento, mas todo o seu corpo pulsa, pulsa com calor e ao ritmo do seu coração acelerado. É uma batalha dura.

- Santificado seja o Vosso Nome... Venha a nós.... ahhhh.... o Vosso... ahhhh.....!!!

É tudo muito forte para ela e não resiste mais à tentação, brincando livremente com o seu próprio corpo. O Diabo venceu hoje, mas amanhã confessar-se-á e tudo ficará bem.

- Menina Gina... Menina Gina...?

Gina abre os olhos. Será que as suas preces foram atendidas e tem ali diante de si o próprio Senhor, que a veio resgatar da imundície? Está muito escuro e Gina resolve acender a vela.
Tem diante de si um jovem de cerca de 19, 20 anos, muito afogueado diante daquela mulher voluptuosa e semi-nua à sua frente. Gina leva as mãos aos seios, a proteger-se.

- Quem é você?
- Daniel Netherfield, menina. Enteado do Sr. Carvalho.

Há uma pausa. O jovem é louro, tímido, franzino. Sob a luz da vela ainda parece mais frágil do que é.

- Vinha trazer-lhe este cobertor. Está muito frio.

Gina levanta-se e aproxima-se do jovem. Sente o diabo ainda dentro de si, como se este lhe tivesse enviado este presente especial.

- Sim, está muito frio – diz Gina, à medida que se aproxima do jovem – Muito, muito frio. Mas não preciso de cobertores, pois não...?

Gina beija os lábios ao jovem, que demora a processar o que está a acontecer naquele momento. Resiste.

- Não resista, menino Netherfield... Já tentei. Mas ele é mais forte do que nós os dois.

Em carícias, Gina desce pelo corpo de Daniel abaixo. O rapaz entrega-se, finalmente.

Na mesa de cabeceira, a vela acesa tocou a foto das Irmãs Madalenas Descalças. A foto arde, invadindo o quarto com sombras bruxuleantes.

22 comentários:

Melissinha disse...

haha eu NÃO CONSIGO escrever sexo. Prefiro ficar com as cenas de crise moral.

Clementine Tangerina disse...

Fazes tu mto bem melissa, pq a pornoxaxada tb n é cmg!!! ;)

Melissinha disse...

Queria criar assim um gato borralheiro sensual no Daniel. A ber bamos.

Ana C. disse...

AH AH AH AH AH
Que belo, uma beata erótica. E um menino para a consolar...
Isto está cada vez melhor :)

Melissinha disse...

Por acaso gosto :D

Ana C. disse...

Se isto fosse novela havia alguns pontapés na continuidade. O pai é sr. carvalho e o filho é Netherfield. Mas a culpa foi do Miguel claro que com a vontade de escrever caralho (Sorry), inventou outro apelido ;)

Melissinha disse...

Nope. Se reparares bem, ele é enteado. a Mulher é que era Netherfield e a casa era dela - daí eu ter falado em gato borralheiro.
Ai ai ai ai!

Ana C. disse...

Ah sou eu que estou descontinuada, mas que preciosismo :)

Melissinha disse...

Pensei assim numa cena tipo padrasto-mau-e-másculo e enteado bom-e-frágil, coitada da Gina.

Miguel disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Melissinha disse...

ó pá cresci em colégio.

Miguel disse...

É caso para dizer: OH MEU DEUS!!!!
Como raio é que te lembraste de pôr uma mulher madura a masturbar-se enquanto recita o pai nosso??!?!?!?
Cale-se quem pensou que sexo com uma garrafa térmica era depravado!!
E depois, um miúdo inocente a ser apanhado pelo desejo diabólico de Gina???
Deus meu, LIVRAI-NOS DO MAL!!!
(A Corin dá voltas no túmulo...)

Miguel disse...

E era comum as freiras desse teu colégio masturbarem-se durante o pai-nosso??
;)

Miguel disse...

Bem eu penso que meninas do colégio... ui, ui!!

Ana C. disse...

Miguel a Melissa é uma ganda tarada disfarçada de beata.
Mas a Gina não é freira, estudou com freiras.
Já eu estudei num colégio de padres Jesuítas que nos apalpavam o rabo de cada vez que iamos ao quadro.

Melissinha disse...

Também estudei com jesuítas, mas os meus padres não eram como os da Ana, eram até bem queridos e paternais.
Claro que, à noite lá nos dormitórios deles... quem sabe, né.

Melissinha disse...

E sou MESMO totó, acreditem. :P

Melissinha disse...

Sim, é importante pegar os pormenores em cada capítulo, para não cometer assassínios de continuidade.
(Fui a modos que continuista na última novela que a Ana co-escreveu e continuo com o verme.)
Dá para fazer grandes voltas sem trair o episódio anterior, dá sim senhores!
E siga!

Kitty disse...

Acham que dá para fazer uma ménage entre a Gina, o pai e o filho (sem o espírito santo)?? E acham que dá para os meterem aos dois a dar uma trancada no meio do fogo? Isso é que era de valor! ahahahahaha
Isto está a ficar muiiiiiito bom! ahahahaha

Miguel disse...

Tudo é possível Kitty, TUDO!!!

Banita disse...

O que práqui vai, minha nossa senhora da agrela!!
Gostei! Fico à espera do seguimento da Gina.
Beijinhos a todos!

Ana. disse...

Mais do que nunca o nome da beata horny está adequadíssimo!!

Eu sabia que um nome destes puxava ao lado mais ardente e assanhado dos autores!!

;)