Há quem goste delas curtas, há quem as aprecie mais longas, mas para nós o tamanho não importa, uma história merece sempre ser contada.

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

O Palpitar da Paixão: Laura.

Gina abrandou enquanto as grossas lágrimas lhe desfocavam a visão. Apoiou-se na parede suavizada pelo papel de padrão vitoriano que forravam todo o corredor e, como se as forças lhe tivessem fugido, sentou-se chorando compulsivamente. Na sua face uma máscara de dor intensa, como se aquilo que sentia fosse um ferro em brasa que lhe queimasse a pele e a deixasse marcada. E Gina estava marcada. Como se a sua mente a abandonasse, Gina regressou ao passado. Ao momento onde tinha sido tirada a fotografia que perdera no incêndio do seu quarto na casa de Netherfield.
Estava um dia esplendoroso e as freiras estavam anormalmente dóceis. Talvez o sol trouxesse um pouco de calor às suas almas frígidas de mulheres presas naquele convento. Exceptuando talvez a Madre Superiora, mulher de princípios rígidos mas uma dócil serva de Deus que educava através do amor e não das sevícias físicas, aquele grupo de mulheres tementes de Deus era constituído por proscritas. Párias que tinham sido rejeitadas pelas suas comunidades ou levadas a enveredar pelo caminho das virtudes através da força da humilhação e da vergonha. Era um dia de alegria para Gina também. Aquele era o dia da sua adopção! Ia finalmente libertar-se daquele lugar sombrio e silencioso, onde as pedras frias e despidas entoavam lamentos perpetuados pelas orações das freiras e continham os gritos e o choro das crianças agredidas e abusadas. Gina via agora o enorme portão do pátio a abrir-se e, como um anjo envolto em luz celestial, entrava o seu Pai. Aproximou-se de Gina e pegou-lhe na mão. Sorrindo, perguntou: "Permites-me que te proteja a partir de agora?". Gina envergonhou-se e, corando, acenou que sim. Saíram de mãos dadas e, ao olhar para trás, Gina viu Laura a espreitar por trás da enorme oliveira que dominava o centro do recreio. Laura chorava serenamente, destilando a imensa tristeza que sentia através das lágrimas. Laura e Gina tinham crescido juntas no Orfanato. Eram amigas e depressa se tornaram inseparáveis. A separação causou enormes danos na estabilidade de Laura que rapidamente se tornou problemática. Aumentaram os castigos físicos e psicológicos e Laura cedeu finalmente à loucura. Morrera num incêndio por ela própria causado. Ao saber disso Gina sentiu-se miserável, como se uma parte de si tivesse sido arrancada. E sentia-se responsável.
A vida avançou indiferente e Gina cresceu. Casou com o homem que amava e era amada por ele. O seu pai morrera entretanto mas tinha agora a sua própria família e era feliz. Trabalhava como secretária de uma conceituada e respeitável firma e era estimada por todos. Até ao dia em que todo o prédio onde trabalhava ardeu. Gina foi encontrada completamente nua nos escombros, deitada junto ao corpo, também nu, do dono da empresa. O incêndio foi considerado acidental mas a desgraça abateu-se sobre ela. O marido, desolado, abandonou-a levando com ele os filhos uma vez que o tribunal decidiu que Gina não era capaz de cuidar deles. Gina ficou devastada, fechou-se em casa durante meses, não se alimentava, não dormia. Ouvia vozes, uma dela bem distinta: Laura.
"Gina? Gina?"
Olhou para cima enquanto enxugava os olhos às mangas da túnica.
"Sr. Netherfield... perdoe-me, eu... não sei que dizer."
"Não diga nada. Tome um banho, arranje-se, recomponha-se. Você é agora a Governanta, aja com tal!"
Retirou-se em direcção à sala seguido de Constança que ostentava um sorriso triunfante.

10 comentários:

Melissinha disse...

Gina - a GÉNESE!
Eh pá e que bom que ela não abriu as pernas desta vez!

Miguel disse...

Coitada da mulher!! Mais uma e ficava assadinha!!AH,AH,AH!!
Depois, em vez de vaselina, usava Halibut...

Kitty disse...

Tenho cá para mim que a Gina comeu a Laura, mas isto sou eu e esta minha mente porca a falar...

Esta pornochachada é só incêndios AHAHAHAHA deve ser por isso que a Gina não pára de arder AHAHAHAHAHA ... mas esperem... desta vez ela não ardeu!! :o(

Nuvem disse...

Loool
ou arde de desejo ou arde... no meio de incêndios
mas devo confessar que adorei esta pausa no sexo que a mulher praticava... até já estava a ficar cansada... só de imaginar :)
quem se segue?
hehe

Ana C. disse...

Hmmmm esta Constança é a que mais me preocupa no meio disto tudo...
Muito bom Miguel, tivemos um momento espiritual para variar as quecas um bocadinho :)
Gostei!

MARIINHA disse...

Olá, para toda a companhia.
Venho dizer-vos que vou levar a Blogonovela, para ler na próxima semana. A maioria das pessoas, levam livros, (e eu também), mas para além disso, vou ler tudo o que se tem escrito por aqui, e que eu não tenho podido seguir, por falta de tempo. Vai ser uma das minhas leituras de férias. Um beijo para todos

Ana. disse...

Miguel...
Este texto está primorosamente escrito! Estás um autor de mão cheia!
Eu proponho até que estas histórias sejam compiladas e apresentadas a uma editora qualquer para publicação!

Genial!
;)

Melissinha disse...

Haha e eu achava que era da Ana. Eu a ler e a pensar: hmmm o godô deu-lhe a volta ao estilo.

Miguel disse...

Ana. Obrigado... qualquer dia acredito que estás a falar a sério... (corado!)

Melissa... ANDAS A DORMIR?!?!

Melissinha disse...

ando parva.