Há quem goste delas curtas, há quem as aprecie mais longas, mas para nós o tamanho não importa, uma história merece sempre ser contada.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

O Inverno e a Aldeia.

(Documento nº 657, Tipo: Arquivo Liturgico, homilia proferida em 10 de Novembro de 1951)

Corações ao alto! Nosso coração está em Deus! Seja feita a sua vontade!
Fieis! A nossa terra foi envolta por uma névoa de maldade! Não vos enganeis, pois é o mal que nos envolve silenciosamente! À data da minha chegada, o rebanho era próspero e feliz e caminhava nos trilhos de Deus, mas hoje o rebanho está perdido... Procurei no meu coração a razão da perdição dos servos de Deus, julguei ser eu a razão da debandada dos nossos irmãos para a vida desregrada da grande cidade. Mas não! O Senhor é meu Pastor e mostrou-me o caminho...
Esta semana visitei vossas casas, uma a uma. Assisti ao sofrimento que trespassa o coração das gentes da nossa terra, o frio que envolve todas as casas, a morte que tocou já quase todas as famílias da nossa aldeia. Mas uma casa, apenas uma casa não estava cheia com este sofrimento. Nesta casa havia música... MÚSICA POR DEUS!! Quem se atreveria a trazer para este nicho de santidade e devoção um instrumento de Satã? A purificação dos pecados vem pelo sofrimento, pela abstinência, pelo sacrifício! Apagai a réstia de alegria que viver nos vossos corações pois adivinham-se tempos de abnegação... Onde estão os nossos irmãos desaparecidos misteriosamente na floresta? Onde estão o Manuel, o António, o Joaquim, o Ernesto? Não há notícia de vida mas não há notícia de morte. Em que limbo estarão as suas almas perdidas? Aqueles que morrem em pecado sem culpa, vaguearão para todo o sempre nos corredores do limbo de Nosso Senhor, Nosso Deus. Mas nessa casa havia algo mais. Algo mais forte, mais poderoso, mais insidioso que a canção de Lúcifer debitada pela voz mecânica... Não... senti algo. Algo me possuiu como se eu fosse uma marioneta. Era uma voz estridente que ria como louca. Dizia-me "sim Vigário... estás na casa do Escolhido... ele vem a caminho para tomar todas as almas do teu rebanho..." e uma criança chorava, chorava mas depois ria, ria estridentemente!! Eu vos digo, vem aí o Maldito, o Portador da Chave do Inferno, o Príncipe do Apocalipse!!!
Pensem, pensem em quando a desgraça se abateu sobre as nossas casas... Quem chegou, de novo, a esta bendita terra? Foi ela que trouxe consigo o nevoeiro, o frio, a morte... Ela é a Mãe do Maldito!! Ela vai parir o mal aqui, na nossa bendita terra!! Eu sei! Eu vi com os meus olhos iluminados por Deus, vi-a a parir o mal em forma de criança, olhos deitando chispas de ódio, uma criança que não chora, só ri! E o seu riso enlouquece quem o ouvir e obriga as gentes a matar a gente do seu próprio sangue. Eu lutei com ela nesse dia, naquela casa. Mas ganhei! Eu que sou o arauto da boa-nova, sou a Espada de Fogo na mão direita de Deus, sou o Arcanjo em carne mortal de homem. Eu fui o enviado para lutar com o Maldito. A Lei de Moisés é clara: a mulher adúltera será executada por lapidação!! Essa mulher traiu a Deus concebendo uma criança com o Diabo, uma criança sem pai, sem alma, sem Deus. Marcharemos para o seu covil e apedrejaremos a traidora até à morte. Eu atirarei a primeira pedra.

3 comentários:

Nuvem disse...

hummmm

começa a compor-se :)
muito boa a loucura apostólica do padre :)

Melissinha disse...

tá uma loucura, adorei!

Nuvem disse...

ó gentiiiiii
já passaram 3 dias....
e a continuação????
olha os fãs a reclamarem ;)